A periferia precisa de lazer


São Paulo precisa de opções de lazer em todas as suas regiões. Precisa de parques e áreas verdes para as famílias saírem de casa e se divertirem com segurança e tranquilidade.

 

A falta de opções obriga pais e mães dos bairros mais periféricos a se deslocarem uma hora de ônibus para encontrar uma área verde para fazer um piquenique e deixar a criançada brincar e correr livremente.

É isso o que acontece com os moradores do Jardim Nova Conquista, na Zona Leste, um dos bairros com o menor índice de arborização da capital, que precisam gastar pelo menos uma hora dos seus dias de descanso para chegar ao Parque do Carmo, o local mais perto.

O problema da falta de lugares públicos para as pessoas se divertirem não se resume à Zona Leste, também afeta bairros na Zona Norte, como é o caso da Vila Medeiros, e da Zona Sul, como a Cidade Ademar. Está generalizado por conta da visão reducionista do prefeito Fernando Haddad, que acha que São Paulo se resume a ações no centro expandido, e por sua incapacidade de planejamento, que não sabe priorizar o que é de fato prioridade.

Parece que hoje as únicas agendas da prefeitura são o fechamentos da avenida Paulista aos domingos, sacolinhas plásticas e ciclovias nos Jardins. Não se discute mais nada. Lógico que podem ser medidas interessantes, mas sem muito impacto. Basta lembrar que a avenida Paulista já abriga dois parques: o Trianon e o Mário Covas, que talvez o prefeito não conheça por não sair de seu gabinete.

Por isso, melhor seria o prefeito estudar a recolocação das ruas de lazer nas periferias onde as pessoas de qualquer idade efetivamente não têm nenhuma opção de passeio. Ou cuidar das calçadas (que não existem) da Avenida Marechal Tito, em São Miguel, campeã das mortes de pedestres. O prefeito não pode privilegiar uma região da cidade por estratégia de marketing, pensando apenas na eleição do ano que vem. São Paulo precisa ser um local mais agradável a todos e não apenas à parcela minoritária da população. Abra os olhos, senhor prefeito, debata nossa periferia. É ela que mais precisa de investimentos.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 09/08/2015

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