A saúde está na UTI


A saúde da cidade de São Paulo pede socorro. Toda a rede municipal está degradada e quem mais está sofrendo são os paulistanos que vivem na periferia.

É preciso iniciar o trabalho dando pequenos, porém decisivos, passos. É urgente priorizar as Unidades Básicas de Saúde, que estão arruinadas. Antes de construir novas unidades, é preciso fortalecer as já existentes, colocando equipamentos adequados, melhorando a remuneração e garantindo a segurança dos médicos que atendem nas UBSs mais afastadas das cidade. É obrigatório retomar programas de prevenção, como o Mãe Paulistana.

Outra prioridade deve ser o Hospital do Servidor Público Municipal, que está em situação degradante. Precisamos reformular e garantir selo de excelência para ele. Não há necessidade de soluções mágicas, basta adotar simples e eficientes ações. O município não tem uma rede on-line que disponibilize todos os prontuários dos pacientes. Criar um sistema que una todos as fichas dos pacientes economizaria dinheiro e reduziria tempo de atendimento, porque evitaria que a mesma pessoa tenha que fazer o mesmo exame duas ou três vezes desnecessariamente.

É incrível que, ainda hoje, o maior hospital municipal da cidade, o do Tatuapé, não tenha um sistema informatizado. Lá ainda é tudo na base do papel. Uma solução que tornaria o sistema mais funcional seria a cooperação entre as redes municipal e estadual. Ganharia a população paulistana, que seria muito melhor atendida. 0 problema dos dependentes químicos também precisa de atenção. A Cracolândia, no Centro, está crescendo de maneira assustadora. Por lá passam diariamente 2,7 mil pessoas, que consomem dez mil pedras de crack. E pequenas novas cracolândias estão se espalhando pela cidade. Esse é um breve diagnóstico da situação da saúde. A Prefeitura, no entanto, se faz de cega e surda e tenta maquiar os problemas em vez de resolvê-los de fato. A saúde de São Paulo está na UTI. E, para curá-la, é preciso começar com um diagnóstico correto e medidas simples e eficazes.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 31/01/2016

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