Ações transformadoras


A origem indígena do M’Boi Mirim está presente até no nome, que significa Cobra Grande. Era o mesmo nome de uma aldeia de índios guaicatás, que ficava às margens do Rio Pinheiros.

 

Mas os índios perderam espaço por volta de 1600, com a construção do primeiro engenho da cidade e da primeira companhia de extração de minério de ferro na América do Sul, que funcionou por 20 anos.

Quando a companhia fechou, M’Boi Mirim ficou abandonado, apenas acompanhando o desenvolvimento do bairro vizinho, Santo Amaro, trazido pelos imigrantes alemães. Era passagem para quem ia a Itapecerica da Serra e Embu, dando origem à Estrada do M’Boi Mirim, que era caminho para o transporte de carga e se tornou um dos eixos da expansão urbana da região.

Uma nova onda de ocupação veio nos anos 50, auge da industrialização paulista, quando surgiram vilas na zona sul, formadas por operários vindos do interior de São Paulo e de outros Estados. O resultado foi uma ocupação desordenada, inclusive em áreas de mananciais, e o aumento da violência, que marcou os bairros de Jardim Ângela e Jardim São Luís.

Depois disso, a região cresceu de forma positiva. Houve investimentos governamentais em infraestrutura e policiamento. Me lembro de quando estava na Prefeitura e acompanhei a obra do Hospital Municipal Moysés Deutsch, hoje administrado pela Sociedade Albert Einstein, na Estrada do M’Boi Mirim. As mudanças aconteceram também pela força da comunidade, que se uniu em projetos sociais e culturais, com grupos de teatro e de hip hop. A região também ganhou uma Fábrica de Cultura, no Jardim São Luís.

Mesmo com tudo isso, são necessárias ações do poder público, em áreas como saneamento e recapeamento de ruas e da própria Estrada do M’Boi Mirim. Assim, será possível preservar características da origem desse interessante bairro.