As pegadinhas de Haddad


A revista Veja São Paulo desta semana traz em sua capa as pegadinhas de mau gosto que o prefeito Haddad pregou nos cidadãos da cidade.

Na semana passada, Haddad teve a infeliz ideia de divulgar uma agenda falsa, para dar um trote no historiador Marco Antonio Villa, que todos os dias critica sua agenda na Rádio Jovem Pan. Por conta da pegadinha, o Ministério Público abriu inquérito para analisar se Haddad cometeu improbidade.

No mesmo dia da brincadeira, a cidade sofreu com uma chuva intensa, que derrubou quase 200 árvores. No Largo da Concórdia, uma jovem de 22 anos morreu quando uma árvore desabou e também feriu mãe e filha.

Mas as pegadinhas do prefeito não param por aí. Temos as ciclovias que são mal planejadas e executadas e as mais caras do planeta. Na média, o quilômetro custou R$ 650 mil, contra R$ 129 mil em Paris, na França, por exemplo. Além disso, as ciclovias foram feitas sem licitação.

Após questionamentos do Tribunal de Contas do Município, a Prefeitura abriu sindicância e constatou que o projeto deveria custar menos da metade do previsto. Ou seja, a Prefeitura gastou R$ 63,8 milhões, mas deveria ter gastado R$ 29,4 milhões, uma diferença de R$ 34,4 milhões. No início de fevereiro, novamente tentei aprovar uma CPI para investigar os gastos com as ciclovias, mas a base governista não apoiou.

Outra pegadinha é o Projeto de Braços Abertos. Lançado em 2014, o programa oferece moradia e trabalho aos viciados em crack, mas no mesmo local onde a droga é vendida. Quem ainda mora nos hotéis cadastrados no programa, reclama que eles estão caindo aos pedaços e infestados de ratos, além de terem que conviver com os outros usuários, que não vão trabalhar e ficam usando crack lá mesmo. O Ministério Público está investigando essas denúncias e a intenção é fazer visitas in loco para verificar se os quartos têm condições de abrigar as pessoas.

Mesmo com tantos problemas a Prefeitura diz que o programa é um sucesso: o número de viciados caiu de 1.500 para 300. Mas basta passar pelas ruas da “Cracolândia” para perceber que este número é falso.

E quem não se lembra do Arco do Futuro? Destaque na campanha eleitoral de Haddad, nunca saiu do papel. O projeto mostrou-se muito caro e mais complicado do que o Prefeito imaginou.

Não bastasse todos estes problemas causados pela atual gestão, o paulistano ainda precisa lidar com a indústria da multa. Nunca se multou tanto em São Paulo. Em 2015 foram 13,3 milhões de autuações, 70% a mais que em 2014. O número de radares aumentou de 593 para 823 e 38% (5,1 milhões) das multas foram por excesso de velocidade, muitas devido à redução da velocidade máxima por toda a cidade. O pior é que a verba das multas deveria ser destinada a sinalização, engenharia, fiscalização e educação, mas o Prefeito usou para construir ciclovias, fazer o pagamento de salários de funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).