Atenção com os cemitérios


Os cemitérios de São Paulo estão em situação degradante. Mostra a falta de respeito como a prefeitura trata sua história.

Estão sendo alvos de depredação e seguidos assaltos. Falta policiamento por parte da Guarda Civil Metropolitana. Falta uma conservação mais cuidadosa e carinhosa por parte da Secretaria de Serviços.

Fico muito triste com a situação. Local onde minha família está enterrada, o cemitério da Consolação, para mim, é emblemático. Seguidamente túmulos são depredados, altares de mármore são destruídos. Um local bonito e histórico, onde estão enterrados Monteiro Lobato, a Marquesa de Santos, Mario de Andrade está abandonado, esquecido.

O caso não é único, estão em situação trágica os cemitérios do Araçá, da Lapa, de Parelheiros, Dom Bosco, entre ouros, a lista é infindável. O desafio é encontrar qual dos 24 administrados pela prefeitura está em situação exemplar. Nenhum. Eles refletem a atual situação de abandono que toma conta de toda a cidade.

Os nossos cemitérios são verdadeiros polos culturais, como já disse várias vezes. Existem muitas obras de arte que merecem atenção e visitação por parte da população. Não é exagero, se fossem bem cuidados esses locais poderiam servir de parques para caminhadas e corridas, como ocorrem em diversos locais do mundo. Essa é uma ideia que defendo há tempos e que parece agora ter sensibilizado a Prefeitura, que antes a tratava com desdem.

No começo do mês, o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro, disse a prefeitura quer aproveitar as áreas como parques.  Para desafogar os locais, ele afirmou que serão erguidos quatro cemitérios verticais, transformando o Cachoeirinha, São Luís, Vila Alpina e Vila Formosa.

A proposta é boa, mas para não parecer oportunismo de ocasião barato, o secretário poderia começar pela limpeza, zeladoria e vigilância dos cemitérios. Porque como já estamos habituados nesta gestão os projetos não saem do campo das ideias.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 23/08/15

Artigo-diario-2308