A cidade abandonada e os projetos do Prefeito que não saem do papel


Líder do PSDB na Câmara Municipal, o vereador Andrea Matarazzo criticou em sessão plenária a administração do prefeito Fernando Haddad.

Sr. Presidente e Srs. Vereadores, cumprimento os Srs. Arselino Tatto e Alfredinho, que estão no plenário, pela conquista da obra, do Hospital Parelheiros. Será um grande feito, já que a região é carente e precisa desse investimento, bem como precisa de atividade econômica, ecoturismo e esportes radicais. Enfim, precisa de algo que desenvolva e crie oportunidades de empregos para quem mora naquela região, onde, por haver reserva ecológica, há muitos problemas para serem gerados empregos.

Ao mesmo tempo, seria importante que a Prefeitura, ao começar a obra desse hospital, preocupasse-se mais com a solução de todos os problemas da saúde, pois as promessas do Sr. Prefeito Haddad feitas durante a sua campanha, como a construção de 40 UBSs, não saíram do papel; e apenas quatro UBSs foram inauguradas até agora, no terceiro ano de seu mandato na Prefeitura.

Da mesma forma, aqueles equipamentos lindos que foram divulgados, no início da gestão da Prefeitura, por computação gráfica, disseram que a Prefeitura criaria – se não me engano – 18 equipamentos Hora Certa e as consultas médicas ocorreriam em, no máximo, três ou quatro dias. Entretanto, acredito que os prazos de consulta médica nunca estiveram tão longos nas redes da Prefeitura como na gestão do Sr. Prefeito Fernando Haddad.

Por isso, espero que o Sr. Prefeito comece a prestar atenção, porque existe São Paulo além do Edifício Matarazzo e além do Vale do Anhangabaú; e porque o Sr. Prefeito Fernando Haddad tem se preocupado tão somente com a região central, especificamente com as ciclovias. Esquece-se de que a Cidade tem prioridades, como áreas de risco, enchentes e problemas gravíssimos na saúde; além da falta de creches, que impedem as mães de trabalhar. Há uma área que pouco tem se falado e muito se crítica, quanto à questão do desenvolvimento social. Basta sair do Palácio Anchieta para ver o quanto a área social foi abandonada pela Prefeitura de São Paulo.

Nobre Vereadora Patrícia Bezerra, não sei se V.Exa. passa pelo túnel Noite Ilustrada, que une a Avenida Paulista à Avenida Dr. Arnaldo. Quando vamos em direção a Dr. Arnaldo, em calçada que não mede mais do que 50 centímetros, podemos ver 40 ou 50 pessoas apinhadas e usando crack, com as pernas no meio do leito carroçável. Da mesma forma, na parte de baixo da Avenida Paulista, há assaltos e uma grande quantidade de dependentes químicos. Andando pela região central, na Avenida São João, na Avenida São Luiz e na Rua Boa Vista, à noite, há um verdadeiro dormitório a céu aberto. Nessa época de chuvas, corta o coração vermos esse cenário. Também há o cenário do Pátio do Colégio, que parece um verdadeiro pátio dos milagres, só que sem milagres.

Estamos esperando para ver até aonde a Prefeitura de São Paulo e o Prefeito Fernando Haddad pretendem chegar. Abandonou a Cidade à sua própria sorte e abandonou a população de rua da Cidade, que é a que mais precisa. Hoje a população de rua está estimada em 16 mil pessoas, que vagam pela Cidade sem qualquer assistência social e sem qualquer atenção do Sr. Prefeito de São Paulo, que, por opção, decidiu não sair do Edifício Matarazzo. De lá, S.Exa. olha, pelas câmeras colocadas nas salas de reunião, e imagina que São Paulo resume-se àquela visão.

Sr. Prefeito, é preciso circular por São Paulo e é preciso sair às ruas, conversar com as pessoas e ir às diversas regiões, inclusive às subprefeituras. Também ir às reuniões que o Sr. Presidente desta Casa, Vereador Donato, está organizando, a Câmara nos bairros. O Sr. Prefeito podia ser convidado, Sr. Presidente Donato. Em sendo convidado, o Sr. Prefeito, ao participar, poderia ouvir diretamente da população relatos sobre os problemas das regiões. Isso fará bem também para nós atualizarmos as nossas informações nos diversos rincões da Cidade. O Executivo e as Secretarias Municipais precisam tomar essa atitude.

A população de rua vem aumentando e ficando, cada vez mais, à própria sorte, sem qualquer assistência de saúde ou social por parte da Prefeitura. Não tenho visto mais a atuação da nossa Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social. Não sei se, com a entrada do meu primo, Sr. Senador Eduardo Matarazzo, na Secretaria Municipal de Direitos Humanos, parte das atividades da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social passou para S.Exa.

Enfim, é preciso que se faça alguma coisa. É preciso que convidemos a Sra. Secretária Luciana Temer, para que venha em alguma comissão desta Casa, para esclarecer se hoje há falta de recursos e se há falta de orçamento, contando com o seu apoio, para atuar efetivamente em nossa Cidade. Não é possível assistirmos, de forma impassível, a tanta gente passando dificuldades pelos diversos cantos da Cidade, sem que haja qualquer assistência.

Insisto, Srs. Vereadores, que nós devíamos estudar a questão dos albergues. Por que os albergues só funcionam à noite? Tenho uma pergunta que não é de hoje. O que acontece? Nos albergues, às seis horas da manhã, toca o despertador, e o morador de rua, que acorda e toma banho, pega a pasta e vai ser gerente do Bradesco? Essa é a minha pergunta: “O que podemos fazer com a população de rua durante o dia? Por que não mantêm alguns albergues abertos durante o dia, dando assistência psicológica e médica àqueles que precisam, em vez de deixarem as pessoas largadas pelas ruas?” Enfim, é preciso encontrar alguma solução.

Nobre Vereador Reis, V.Exa. que é tão focado na questão da segurança, e fala tanto do Detecta: precisamos colocar um Detecta na Prefeitura para que seja detectado quem está cuidando dos moradores de rua da Cidade, porque localizá-los está fácil, difícil é localizar quem está dando atenção a essa população.

Li hoje nos jornais que o Secretário Jilmar Tatto está numa tentativa de transformar os carroceiros em ciclistas, enfim, em arrumar bicicletas para que os transportadores de reciclagem façam seu trabalho com gaiolas, carretas atreladas às bicicletas. Essa é uma tentativa desesperada do Sr. Prefeito de, quem sabe, povoar as ciclovias abandonadas. A ideia das gaiolas com bicicletas é boa.

Como sempre, essas iniciativas saem da Secretaria de Transportes. É interessante, mas precisa ver se vai ser feito, se vai acontecer, e se o Secretário Simão Pedro deixa acontecer – S.Exa., aliás, não prima pela eficiência, basta vermos como anda a situação da limpeza pública de São Paulo, principalmente na periferia.

Enfim, não vou mais me estender, porque me dá muita tristeza ter sempre de fazer um relato triste sobre a cidade de São Paulo, a cidade em que nasci e fui criado, e que tantas oportunidades deu a toda a minha família. Tento dessa forma, fiscalizando, andando, trabalhando, retribuir tudo que São Paulo deu a mim e a milhares, senão milhões, de imigrantes europeus, asiáticos, a migrantes nordestinos, esses braços todos que construíram esta cidade. Por isso é dolorido vermos um descendente de imigrante, como o Sr. Fernando Haddad, simplesmente tapar os olhos, abandonar a Cidade, não conversar com a sua base, com os vereadores distritais, pois conhecem suas regiões, para fazer alguma coisa a mais pela Cidade, e não o que vem fazendo hoje, que é perturbar a vida dos paulistanos.

A Prefeitura hoje tem recursos, haja vista a renegociação da dívida, iniciada no Governo Serra, quase concluída no Governo Kassab e finalizada agora, num acordo entre Governo Federal e a Prefeitura de São Paulo. O Sr. Prefeito entregou as contas da Prefeitura ao Bradesco e recebeu cerca de 800 milhões de reais, portanto sabemos hoje que dinheiro não é o problema. Mas já se foram dois anos de gestão, e nada vimos até agora.

Projetos de campanha do Sr. Prefeito eram da mesma forma que o Fura-Fila foi para alguns: nada mais do que maquetes eletrônicas. Está aí para provar o Arco do Futuro, que se transformou no Arco do Fracasso, já que não saiu do papel. Está aí o Hora Certa, também um projeto bonito, com boa locução, bonito colorido, mas que não saiu do papel. Coisas boas foram interrompidas, como a inspeção veicular.

E vi agora uma coisa que me assustou, que é o projeto de revitalização do Anhangabaú. Quer o Sr. Prefeito, nobre Vereador Marco Aurélio, fazer no Anhangabaú um grande lago, que enche e esvazia, cercado de quiosques. Muito bonito na maquete do arquiteto dinamarquês. Sugeriria ao Sr. Prefeito que, antes de pensar nisso, conseguisse manter as duas pequenas fontes do Anhangabaú, hoje abandonadas, ou as fontes do Túnel Nove de Julho.

Concedo a palavra ao Sr. Marco Aurélio Cunha.

O Sr. Marco Aurélio Cunha (PSD) – O que me preocupa muito, além de alguns projetos que ainda não entraram no eixo, é abandonar o projeto Nova Luz. Esse foi um trabalho belíssimo da gestão passada que poderia ter prosseguido, e infelizmente tudo aquilo foi abandonado. Hoje a Nova Luz está, como vemos, com a hipótese de agregar e de dar desempenho, lamentavelmente, aos viciados em drogas, pagando tributo a eles, dando algum recurso que volta para as mãos dos traficantes que rodeiam a Nova Luz, e está a mesma situação caótica. Não era assim quando projetamos a Nova Luz e o Prefeito Kassab fez uma “varrida” no sentido correto, não no sentido higiênico, daquela região.

O projeto da Nova Luz é o que mais me decepciona ter sido abandonado, além da Controlar, que também contribuía com a diminuição da poluição ambiental provocada pelos automóveis. Ficamos sem a Controlar e estamos pagando um tributo caro pela poluição ambiental.

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – Muito obrigado, nobre Vereador Marco Aurélio Cunha, mas fique tranquilo porque no futuro conseguiremos dar sequência a esses projetos que foram, infelizmente, engavetados por questões ideológicas e políticas.

Faço um apelo ao Prefeito Fernando Haddad: pense em tudo que São Paulo deu à V.Exa.: a possibilidade de se formar; a possibilidade de, como filho de um imigrante libanês, chegar à Prefeitura. Dê valor a essa conquista, Sr. Prefeito. Todos sabemos, V.Exa. teve uma inestimável ajuda do Presidente Lula, mas dê valor, dê valor aos paulistanos que votaram em V.Exa. Pense que São Paulo precisa ser administrada, que São Paulo não é um brinquedo de uma criança mimada, é uma cidade gigantesca que precisa da atenção da sua administração.

Muito obrigado.