Comida de Rua é tema de discurso de Matarazzo


Andrea Matarazzo defendeu seu projeto de lei.

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – (Sem revisão do orador) – Desejo usar o tempo do Pequeno Expediente para falar sobre o projeto que protocolei para regulamentar a comida de rua. Trata-se de algo importante que acontece em São Paulo, mas sem o menor controle, nem condições de higiene.

Fizemos um projeto com esse objetivo, no entanto deparei-me com uma notícia que não dá para deixar de comentar. É mais uma das trapalhadas da gestão do Prefeito Fernando Haddad, do Governo do PT. Vejo a seguinte notícia, Vereador Ricardo Young: “Prefeitura amplia limite permitido para lotação de ônibus”. O nobre Vereador Vavá estava falando hoje sobre as condições oferecidas ao motorista. Todos nós, em São Paulo, sabemos as condições do transporte urbano, principalmente de ônibus, que é de responsabilidade da Prefeitura. É um tipo de transporte abaixo da crítica, até desumano, não só para motoristas, que não têm horário. Aliás, sua carga horária é pesadíssima. Os ônibus ainda são mecânicos, com embreagens pesadas. No fundo, são chassis de caminhões adaptados para ônibus, para fazerem trajetos longos. Os motoristas têm pouco tempo até para irem ao banheiro durante o trajeto. Aliás, nem isso podem. Uma cidade que se diz moderna como São Paulo oferece essas condições aos seus motoristas de ônibus.

Por outro lado, os passageiros andam como em latas de sardinhas. Se pegarmos um ônibus de manhã na Cidade Tiradentes, veremos que o horário de pico lá é às 3h30, 4h da manhã. Pessoas esperam 45, 50 minutos ou até uma hora para conseguirem entrar no ônibus. Se formos medir o tempo de trajeto até o Parque D. Pedro, ele será de duas horas e meia, parando o ônibus até 72 vezes. Hoje isso é um absurdo. Vemos que os ônibus fazem a conveniência das empresas e não dos passageiros. Quem anda de ônibus sabe disso. Os trajetos levam em conta o que é bom para as empresas. Isso ocorre há muitos anos. Não é um privilégio da gestão do PT; isso já vem desde a gestão anterior do PT, e a situação vem piorando a cada gestão da Prefeitura.

Vi que o Sr. Prefeito Fernando Haddad publicou hoje no Diário Oficial do Município um decreto que reorganiza a licitação de serviços de ônibus na cidade de São Paulo. A medida já era aguardada, pois os contratos com as atuais operadoras estão vencendo. Entre outras disposições, o texto estabelece as diretrizes técnicas pelas quais os veículos devem passar.

Em vez de andarmos para frente e evoluirmos, adotando ônibus hidramáticos, com ar condicionado, vamos piorando. Estamos andando para trás. Há seis tipos de ônibus: mini, midi, básico, padrão, articulado e biarticulado. Com exceção dos mini, terão de poder transportar até seis passageiros em pé por metro quadrado.

Meçam um metro quadrado e tentem imaginar nele, como o Vereador Eduardo Tuma está fazendo aqui, seis pessoas, num ônibus em movimento, que breca e muda de marcha, no calor, e veremos as condições de que estamos falando.

E chama a atenção, no entanto, o fato de que a Prefeitura elevou o número absoluto total de passageiros que cada coletivo pode transportar. Em alguns casos, na maioria, isso aconteceu sem que os veículos possam aumentar. Isso representa mais passageiros dentro desse mesmo ônibus, que já é apertado e superlotado. Essa é a forma de o PT pensar na população de São Paulo, compactando mais as pessoas dentro de ônibus? Em vez de avançarmos e evoluirmos, vamos regredir? Estamos com padrões de transporte público de ônibus comparáveis aos, quem sabe, de Lagos, ex-capital da Nigéria, ou aos de Uganda. Esses países podem oferecer um conforto parecido a sua população.

Antes, de acordo com os manuais técnicos da própria Prefeitura, da SPTrans, que gerencia o serviço de ônibus na Cidade, os veículos de categoria básica podiam levar até 65 passageiros, entre os sentados, os em pé e os cadeirantes. Agora, essa quantidade de 65 passageiros, que o ônibus antes poderia levar, vai para 75 passageiros; e o comprimento do ônibus continua basicamente o mesmo. Isso revela o pouco caso, a pouca consideração que o Governo do PT tem com a sociedade, com a população de São Paulo. Fala, fala, fala, faz campanha, faz publicidade, mas, no fundo, quer se apegar ao poder, aparelhando a Prefeitura. Pensar na população? Que nada. Para quê? A população só serve para votar em época de eleição. Essa é a forma como o PT vê as coisas; é como o PT enxerga você que está nos vendo. Vamos trabalhar para tentar impedir que isso aconteça.

Muito obrigado.