Contrastes de Santo Amaro


Até 1935, Santo Amaro era uma cidade independente e, hoje, mantém os contrastes de uma pequena São Paulo.

Do luxuoso Alto da Boa Vista, que até hoje guarda a influência da imigração alemã, ao popular Largo 13, das multinacionais e indústrias às pequenas residências, o bairro é reconhecido pela grandeza e diversidade.

Santo Amaro foi mais um dos bairros fundados pelo padre José de Anchieta, por volta de 1560. O nome veio do santo de madeira doado para a capela construída no, então, aldeamento indígena. A imagem é preservada até hoje, na igreja matriz, no Largo 13, atualmente fechada para reforma. Além da matriz, há outros bonitos espaços religiosos como Convento Santíssima Trindade, na Rua São Benedito, aberto para visitas agendadas; e a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Rosália, padroeira dos imigrantes sicilianos, na Rua Palestina.

A imigração alemã foi fundamental para a região. O primeiro grupo chegou à região para o casamento de Dom Pedro I e Dona Amélia de Leuchtenberg, no fim do Primeiro Reinado. A influência europeia ainda é vista hoje, nas casas em estilo alemão, especialmente na Chácara Santo Antonio e Chácara Flora, e nos restaurantes típicos. O mais famoso é o Juca Alemão. Outros dois restaurantes típicos marcaram o bairro: o indiano Govinda e o francês Le Coq Hardy, que não está mais em funcionamento.

A história do bairro está registrada em um mosaico na estátua do bandeirante Borba Gato, na Avenida Santo Amaro, de gosto duvidoso para muitos paulistanos, mas um marco importante. E quem morou ou freqüentou o bairro tem outros marcos na memória. Lembro da casa do meu tio, em que eu brincava quando criança, cujos jardins deram origem ao Jardim Cordeiro. E como esquecer o cheiro de chocolate deixado no bairro pela antiga fábrica da Lacta?

De fato, Santo Amaro é um dos bairros mais representativos de São Paulo, pela mistura de ambientes, pessoas e histórias.