Corredores, faixas e taxis


Os taxistas dos quatro cantos de São Paulo, que vivem realidades tão diferentes de uma cidade tão desigual, têm uma reclamação em comum: as faixas e corredores de ônibus. Os taxis deveriam poder usá-las até quando estivessem sem passageiros, sendo que muitas poderiam ser exclusivas para ônibus somente nos horários de pico, das 7h às 10h e das 17h às 20h.

Se os taxistas forem mesmo proibidos de usar até os corredores, como quer a Prefeitura, e agora também o Ministério Público, todo passageiro que tem carro e usa o taxi por ser uma alternativa de transporte mais ágil – 50% dos usuários – vai acabar tirando seu veículo da garagem. Segundo essas pessoas, melhor estar no próprio automóvel do que pagar o valor do taxímetro num trânsito paralisado. Tirar táxis dos corredores é colocar mais carros nas ruas. Vale lembrar que eles fazem, em média, dez corridas por dia, o que significa ao menos cinco automóveis a menos nas vias por taxi.

Circulam pelas ruas de São Paulo 34 mil taxis para atender os cerca de 11 milhões de moradores da cidade. Já em Nova York são 13 mil táxis para uma população de oito milhões de cidadãos. Embora o número aqui seja muito maior, a sensação é de que ainda faltam veículos para suprir a demanda dos passageiros, ao contrário da cidade americana. Um dos motivos é o tráfego sempre lento, que mantém os automóveis presos nos congestionamentos.

O táxi é um meio de transporte e precisa de maior funcionalidade e acessibilidade, especialmente em grandes centros urbanos, com trânsito caótico, ruas imprevisíveis e público diversificado. A cidade enfrenta problemas cada vez maiores de manutenção de vias sempre insuficiente e deficiência de vagas de estacionamento. A situação dos transportes e do trânsito em grandes metrópoles deve ser melhorada. E o taxi, assim como a bicicleta, pode ser uma alternativa para o problema da mobilidade urbana.

Artigo publicado no Diário de S.Paulo em 19/12/2013