Críticas ao sistema de drenagem permeiam o discurso de Matarazzo


O vereador explicou como a falta de limpeza do sistema de drenagem causam enchentes na cidade.

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – Sra. Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, boa tarde.

Hoje vou começar comentando sobre as chuvas da última sexta-feira, o que, aliás, vale para todas as chuvas que ocorreram ultimamente. Todos sabem que, quando chove, alguns pontos de São Paulo ficam alagados, mas a senhora e o senhor que está nos assistindo sabe também que nunca a cidade de São Paulo ficou tão alagada como ultimamente. E não é à toa, tem uma razão. Não se trata de mais chuva ou menos chuva. O fato é que a Cidade está há um ou dois anos sem limpeza do seu sistema de drenagem.

– O orador passa a referir-se a fotografias na tela.

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – Por essas fotografias podemos ver a perfeição que o Prefeito Haddad conseguiu deixar a nossa cidade. O Minhocão, que é uma via elevada, ficou alagado, algo inédito. Nunca na história desta cidade houve um alagamento que paralisou o Minhocão; a mesma coisa aconteceu na av. Paulista. Esses são alguns dos exemplos.

Este é o Minhocão. Pasmem os senhores! Obviamente o sistema de drenagem do Minhocão não está sendo limpo, e precisa ser limpo principalmente no final das chuvas, porque se entrar no período de secas com as galerias obstruídas acontecerá o que os senhores estão vendo na tela: o lixo compactado dentro das galerias, impedindo a água de escoar.

Nobre Vereador Alfredinho, tenho certeza de que devem acontecer coisas parecidas em Parelheiros, não em função de galerias, porque lá não há tantos sistemas de galerias, mas principalmente pela falta de limpeza dos córregos, que é algo também essencial para se evitar o alagamento na Cidade.

O alagamento acaba causando não apenas transtornos na Cidade, mas um prejuízo imenso para muitas pessoas. Hoje mesmo, ouvia pela rádio uma senhora dizer que, durante as chuvas, ela perdia tudo o que conseguia adquirir ao longo do ano .

Já percebemos que o Prefeito Fernando Haddad não gosta muito da Cidade, mas poupe os paulistanos de sua ira contra São Paulo. Deixe o pessoal trabalhar, deixe que as equipes de limpeza, as equipes de cata-bagulho, essenciais para a Cidade, recolham pneus velhos, móveis velhos, entulhos jogados pelas ruas, para evitar que sejam absorvidos pelos bueiros; e que seja feita a limpeza de drenagem.

Nobre Vereador Natalini tem visto caminhões que fazem limpeza de bueiros pela Cidade? Nobre Vereador Adilson Amadeu tem visto aqueles caminhões que tem aspirador limpando os bueiros? Quem sabe no dia 1º de abril o Sr. Prefeito coloque nas ruas as equipes de limpeza.

Não obstante a questão das chuvas, a falta de manutenção na Cidade, que todos podem ver, basta olhar as ruas, a sujeira que está São Paulo; um assunto que passou despercebido pelo Prefeito Fernando Haddad, embora tenha tudo a ver com S.Exa. Hoje começamos a entender algumas coisas.

O Prefeito Fernando Haddad, quando era Ministro da Educação, em 2010, assinou um decreto que mostra bem o seu temperamento: de contar com recursos que ainda não existem.

Na época, existia o Fies, um programa de financiamento à educação superior criado no governo Fernando Henrique, que atendia cerca de 80 mil estudantes em São Paulo e custava cerca de R$ 800 milhões ao ano.

O Sr. Haddad, então à época ministro, moderninho, arrojado, descolado, achou que o Fies era muito travado, que havia muitos critérios, que havia muita rigidez para o aluno conseguir o financiamento – o aluno tinha de obter uma nota razoável no ENEM, a faculdade tinha de ser aprovada por determinados parâmetros, etc. –, e resolveu liberar geral, para agradar todo mundo, para fazer bonito, para parecer aquele bom moço que S.Exa. gosta de parecer. O que aconteceu? O que vemos agora: um buraco de apenas R$ 23 bilhões. O Fies, que custava R$ 1,2 bilhão, saltou para R$ 13,4 bilhões em 2014, ou seja, cresceu 411%. Isso porque foram eliminados os parâmetros do Fies. Esse crescimento quebrou o programa, e os alunos ficaram sem saber o que fazer – 13 bilhões de reais são destinados aos estados para sustentar as universidades privadas.

Srs. Vereadores, 30% da receita de uma em cada quatro faculdades do Brasil provém do FIES, ou seja, o generoso, bondoso e bom rapaz Fernando Haddad quebrou o sistema, criou grandes fortunas e grandes grupos educacionais com qualidade obviamente pífia. Esse é o economista Fernando Haddad, o responsável pelo grande buraco, pelo rombo, pela destruição do programa de financiamento do ensino superior do Brasil.

Hoje há uma matéria interessante no jornal O Estado de S. Paulo falando das finanças da cidade de São Paulo.

Todos sabemos, pela leitura do relatório da Cidade feito pelo brilhante Vereador Ricardo Nunes, que o Governo contava com recursos para fazer a contrapartida aos programas federais. Se não me engano, esperava cerca de 12 bilhões, alguns bilhões de recursos federais, para, por exemplo, construir corredores de ônibus e habitação social, que não estão acontecendo, para fazer o programa Hora Certa. Aliás, são seis meses de espera para a marcação de consulta no Hora Certa. O seu nome poderia mudar para programa Ano Certo, aquele que garante que naquele o indivíduo será atendido. Esse é o Hora Certa, promessa do moderninho Prefeito Fernando Haddad, e não funciona. Hoje são apenas quatro unidades, uma em cada uma daquelas subprefeituras prometidas.

Este ano, com todas as restrições que a Presidente Dilma está fazendo na economia, elevando os juros, tirando dinheiro do mercado, gerando, infelizmente, inflação e desemprego, obviamente não é possível que a Presidente assine o refinanciamento da dívida dos estados e municípios. Portanto, o refinanciamento da dívida da cidade de São Paulo, aquele dinheiro com que o Sr. Prefeito contava o ano passado para aliviar o caixa deste ano, para que pudesse novamente endividar o Município, não vai mais acontecer. Acho difícil também que venha dinheiro do PAC 1, PAC 2… do PAC 23, etc.

Ou seja, passados dois anos e três meses da atual gestão, pergunto: o que foi feito, até agora, das centenas de promessas que o Prefeito Fernando Haddad fez pela televisão, aqueles projetos bonitos, tão bem embalados pelo marqueteiro João Santana?

Falemos da inspeção veicular.

A promessa é que não haveria mais taxa, mas continuaria a inspeção. Terminou a inspeção, e eu não consegui receber de volta, no ano passado, o valor da taxa.

Falemos daquele nome bonito, Arco do Futuro, que mais parecia o Arco do Triunfo.

O Sr. Prefeito falou, falou, falou e não saiu do papel; projeto arquivado. Não se deram ao trabalho de explicar o porquê.

O Hora Certa, que não tem hora certa, e portanto é o Ano Certo, seria nas 32 unidades, um em cada subprefeitura, mas até agora há apenas quatro, e leva-se cerca de seis meses para marcar a consulta.

As creches? O Prefeito Fernando Haddad, um homem novo, do futuro, ia resolver o problema. Criticava a gestão anterior, dizendo que faltavam creches, que havia 110 mil crianças fora das salas de aula. Hoje, dois anos e três meses depois, são 15% mais.

Nobre Vereador Ricardo Young, cadê aquela ONG Nossa São Paulo, que cobrava as metas dos Prefeitos Kassab e Serra? Vieram a esta Casa, estabeleceram as metas, fizemos uma lei. O PT assumiu a Prefeitura, e o Sr. Oded Grajew simplesmente desapareceu; acabaram-se as cobranças. Cadê a ONG Nossa São Paulo, financiada por empresas enormes, empreiteiras e construtoras, que fazia nesta Casa uma cobrança diária? Essa ONG fazia a cobrança diária de que o orçamento da Subprefeitura do M’Boi Mirim era menor do que o da Subprefeitura de Pinheiros, e assim misturava alhos com bugalhos, porque uma coisa não tem nada a ver com outra. Cobrava todo dia, e depois simplesmente desapareceu.

O nobre Vereador Ricardo Young, quem respeito muito, e que tem me dado boas notícias e apresentado bons projetos, dará uma explicação, se é que S.Exa. vai conseguir, sobre este caso específico do papel da ONG Nossa São Paulo.

Concedo aparte ao nobre Vereador Ricardo Young.

 

O Sr. Ricardo Young (PPS) – Não tenho explicações para dar. Quero apenas dizer que o Nossa São Paulo promoveu um evento hoje de manhã justamente para discutir as metas do Sr. Prefeito, fazer um balanço, isto é, verificar o percentual de metas executadas, bem como lançar um aplicativo que permitirá a todos os cidadãos fazer um acompanhamento dessa execução, e V.Exa. não participou e nem mandou representantes. Isso mostra que V.Exa. está desqualificando um trabalho que desconhece. Essas metas estavam sendo discutidas no evento da Nossa São Paulo realizado hoje de manhã, e V.Exa. fez muita falta. Poderia ter feito esse mesmo discurso lá no evento, e assim provavelmente teria enriquecido o trabalho da Nossa São Paulo no acompanhamento e na supervisão das metas. Se V.Exa. algum dia vier a ser candidato prefeito – e tenho certeza de que será –, verá o quanto essas metas podem ajudar a monitorar os programas de Governo, que é o que está ocorrendo.

Quanto à ONG cobrar esse Governo de forma mais rigorosa, concordo com V.Exa. Em relação ao Governo Kassab, o Nossa São Paulo foi muito mais rigoroso do que está sendo com este Governo. Agora, desqualificar o Nossa São Paulo porque V.Exa. acha que não está sendo rigoroso demais, sem conhecer o trabalho que está sendo feito, é um pequeno exagero de vossa parte.

 

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – Nobre Vereador Ricardo Young, desculpe-me se entendeu assim; não quis dizer isso.

Desconheço o trabalho, porque a ONG me cobrava publicamente, e o que eu quero saber é a cobrança pública, já que esse é o papel de quem se propõe a fiscalizar. Apenas isso. Realmente, como V.Exa. diz, falta rigor na cobrança.

Nobre Vereador Ricardo Young, obrigado pela explicação. Não estou desqualificando, apenas querendo saber por que existem dois pesos e duas medidas. Acho que deve haver cobrança. “O pau que bate no gato bate no cachorro” – não é assim que se diz no interior? “Ou em Chico e em Francisco”, se preferirem os politicamente corretos.

Sra. Presidente Edir Sales, da Vila Prudente, quero apenas fazer essa pergunta: há um sistema de limpeza de bueiros e galerias na Vila Prudente como deveria haver por toda a Cidade? Tenho certeza de que não, pois dei uma volta na zona Leste e vi o estrago que a chuva fez na casa das pessoas.

Portanto, para concluir, espero que dois anos e três meses depois, o Prefeito Fernando Haddad desista do papel de bom moço, de mocinho, de moderninho, e faça aquilo para o qual S.Exa. foi eleito: trabalhar e sair à rua. Hoje S.Exa. disse que quem fica na rua está conversando, não está trabalhando. S.Exa. deveria perguntar para os garis se é verdade isso, se eles não estão trabalhando quando estão nas ruas. Mostra realmente que o Prefeito Haddad é um prefeito de gabinete, de universidade, mas não de uma cidade como São Paulo.

Muito obrigado.