Cultura por vocação – parte II


Outra ação grande que temos é em relação à música. O Estado investe cerca de R$ 170 milhões em música. Entre iniciação, onde o projeto Guri atende hoje cerca de 50 mil crianças; formação musical, aí temos o Conservatório de Tatuí, a Escola Tom Jobim e o Festival de Campos do Jordão, e a profissionalização e difusão, com a Orquestra Jovem, a Jazz Sinfônica, a Orquestra do Teatro São Pedro, a Banda Sinfônica do Estado e, finalmente, a Osesp- Orquestra Sinfônica do Estado, que é hoje uma das 80 maiores do mundo.

Táxi Cultura:
Além do projeto de distribuição de ingressos, o cinema conta com algum incentivo especial por parte da Secretaria?

Andrea Matarazzo:
O Estado de São Paulo tem cerca de 650 municípios e somente 125 têm cinema. Para suprir essa carência desenvolvemos um programa que se chama Cinema na Cidade. O prefeito manda um projeto de um pequeno cinema e nós doamos o equipamento e uma caixa de filmes todos os meses. Já fizemos mais de 50 até agora e pretendemos fazer mais.

Táxi Cultura:
Recebendo mais de 11 milhões de turistas por ano, existe na cidade de São Paulo um diálogo entre a Cultura e o Turismo?

Andrea Matarazzo:
Sem dúvida que sim. Hoje o turismo cultural em SP é um dos grandes pontos fortes de fluxo de pessoas na cidade. Nos museus, cerca de 30% dos visitantes são de fora do Estado. Inclusive de fora do País. O turismo cultural é um dos fortes vetores da atividade turística em São Paulo.

Táxi Cultura:
Depois da crise financeira mundial houve uma redução do volume de investimentos nos programas de fomento à cultura, como o PROAC – Programa de Ação Cultural. Essa demanda já voltou ao normal?

Andrea Matarazzo:
Já nos recuperamos, mas a demanda é muito maior do que a disponibilidade de recursos e sempre será. A qualidade da demanda é boa. São Paulo tem isso; você conta com uma quantidade imensa de agentes culturais, e a qualidade é muito boa também. Temos oferecido cursos de capacitação nas regiões mais distantes.

Táxi Cultura:
O taxista é um ator fundamental dentro do cotidiano da cidade. Existe alguma ação direcionada no sentido de potencializar o seu papel como agente divulgador da Cultura?

Andrea Matarazzo:
O taxista, de quem sou fã, pois uso muito táxi, é um elemento fundamental na divulgação de todas as atividades que se realizam na cidade, em especial em relação ao turismo. Ele deve ser um grande divulgador de tudo o que acontece na cidade. Queremos trabalhar nisso.

Táxi Cultura:
Se hoje fosse o dia do seu desligamento da Secretaria de Estado da Cultura, quais metas gostaria de ter atingido?

Andrea Matarazzo:
O projeto mais importante no momento são as Fábricas de Cultura. Elas vão transformar as regiões mais carentes da cidade. Cada unidade terá a capacidade para atender cerca de 5 mil crianças. Outras realizações seriam a conclusão da instalação do Museu de Arte Contemporânea no Ibirapuera; criação de diversas unidades da Pinacoteca do Estado em algumas cidades do interior e, principalmente, ter a cultura incorporada nas pessoas como um elemento transformador.