Curiosidades da Santa Casa


Por mais que se conheça a cidade, há sempre algo a ser descoberto (ou redescoberto) em São Paulo.

Essa semana fiz uma interessante visita a Santa Casa de Misericórdia, no bairro de Santa Cecília. Já impressionam, pela bonita arquitetura, os prédios que compõe o Complexo Hospitalar. O edifício principal, o mais antigo, foi inaugurado em 1884. Tombados pelo Condephaat, os prédios estão sendo totalmente restaurados, preservando suas características originais.

Atualmente, a Santa Casa oferece atendimento em diversas especialidades médicas e chega a receber cerca de 8 mil pessoas por dia, em todas as suas unidades, em vários bairros de São Paulo. São 2 mil leitos distribuídos em sete hospitais, sendo três em parceria com o Governo do Estado. Uma das unidades é o Hospital Geriátrico e de Convalescentes Dom Pedro II, no Jaçanã, que foi construído em 1885, com projeto de Ramos de Azevedo.

Mas o motivo principal da minha visita ao Complexo da Santa Cecília foi para conhecer o Museu da Santa Casa, que tem um acervo de mais de 7 mil peças: equipamentos, livros, vidros de remédios, instrumentos cirúrgicos, que contam a história do hospital. O museu, instalado no prédio principal, fica aberto ao público de segunda a sexta.

Um dos objetos que chamam mais a atenção no Museu é a Roda do Excluídos.
Colocada nos muros de instituições religiosas, com uma abertura voltada para a rua, era destinada a receber as crianças abandonadas, preservando o anonimato de quem que a utilizava. Na lateral da peça, havia um sino, para avisar os moradores que havia uma criança ali. De acordo com as informações da Santa Casa, de 1884 a 1950, foram quase 5 mil crianças deixadas na Roda dos Excluídos.

Estive também na bonita Capela Nossa Senhora da Misericórdia, construída no começo do século XX. Outro lugar com uma arquitetura interessante, em estilo gótico.

Reconhecida pela sua excelência no atendimento médico, a Santa Casa é também um marco importantíssimo da cidade. Vale à pena conhecer o museu pelas suas curiosidades, que contam um pouco da história da medicina e de São Paulo.

Andrea Matarazzo
(artigo publicado no jornal Diário de São Paulo de 31/03/2012)