Discussão sobre o Plano Diretor


Entenda o posicionamento de Andrea Matarazzo.

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – Boa tarde, senhoras e senhores.

Muito obrigado, Presidente, pela palavra.

Vamos começar a falar um pouco sobre o Plano Diretor Estratégico, deixando claro…

 

O Sr. Floriano Pesaro (PSDB) – Sr. Presidente, nobre Vereador Andrea Matarzzo, só quero deixar consignado que, no momento oportuno, se for o caso, eu gostaria de fazer um aparte. Estarei atento escutando V.Exa. Parabéns pelo trabalho.

 

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – No momento oportuno, perfeitamente.

Só queria deixar claro que meus votos não foram só do Jardim Paulista, foram pela Cidade toda e não concentrados como os de V.Exa., na região dos Jardins e Pinheiros.

 

– Manifestação fora do microfone.

 

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – E Parelheiros.

Queria dizer que, sobre o Plano Diretor, nós não vamos falar a favor nem contra, conforme o padrão existente e, sim, fazer comentários a respeito do Plano Diretor, já que, como Presidente da Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente, nós participamos de todo o processo. Entendemos que ainda existem pontos bastante complexos a serem discutidos.

O primeiro ponto que acho importante que vejamos é o que a imprensa tem falado, a repercussão que o Plano Diretor tem tido nesses últimos dias na imprensa. O que a gente vê: “Após pressão, Câmara debate o Plano Diretor”; “Sob pressão, Câmara votará Plano Diretor”; “Triste espetáculo” é o editorial de hoje mostrando quanto os Governos têm conversado a respeito de invasões, quando deveriam buscar os fóruns adequados – vale a pena ler esse editorial do Estado de São Paulo de hoje; “Por Plano Diretor, MTST sitia a Câmara” é o que nós temos visto todos esses dias; “Sem-Teto acuam os Srs. Vereadores e irritam até a base de Haddad”. Ou seja, 55 Vereadores estão acuados aqui nesta Câmara e discutindo alguma coisa importante, como é o Plano Diretor.

Então, acho que é importante vermos o seguinte: esse não é um clima para se votar alguma coisa da importância do Plano Diretor, principalmente, quando vi que hoje mesmo estão sendo incorporadas emendas num novo substitutivo, e não faz sentido nós aprovarmos emendas num Plano Diretor sem uma análise detalhada dela, já que sabemos que, num Plano Diretor, uma vírgula pode mudar o uso e a ocupação de determinada região; que uma letra ou um número pode mudar o coeficiente de ocupação de uma região, trazendo lucros milionários ou prejuízos aviltantes.

Eu acho que isso tem de ser pensado antes de votarmos o Plano Diretor: acuados ou pressionados. Eu entendo que os Vereadores até agora, pelo menos no meu caso e em diversos outros, não entregaram nem abriram mão dos seus mandatos para aceitarem pressões e data marcada para determinadas votações, já que é uma votação que não tem necessidade de data marcada, mas que deve ter uma discussão apurada, complexa e profunda a respeito de cada modificação proposta até para evitar que sejamos acusados de ter votado ou na calada da noite ou sob pressão de lobbies, não importando quais sejam eles. Todo tipo de pressão é um lobby. Não há diferença entre se mudar o zoneamento de um terreno em Itaquera ou de um terreno em Vila Nova Conceição: são duas coisas exatamente iguais, e certamente há interesses bastante importantes tanto em um caso quanto em outro.

O Plano Diretor é interessante, mas gostaria de mostrar aos senhores o que é a São Paulo real.

 

– Orador passa a referir-se a imagens em tela de projeção.

 

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – Mais de 50% de nossa cidade encontra-se longe do centro expandido. Essa imagem, de Parelheiros, na zona Sul – região do Vereador Alfredinho – é a São Paulo real, não a São Paulo do primeiro projeto de Plano Diretor enviado a esta Casa. Temos de ver o que é a Cidade de fato. Imagino que a Secretária do Planejamento do Município conheça apenas a região da Cidade Universitária, mas São Paulo é muito maior do que isso.

Essa outra imagem é do Jardim Peri do Alto, na zona Norte.

Essas são as regiões que temos de pensar e trabalhar e para as quais temos de dar prioridade para urbanizar e melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram nessas condições.

Essa outra imagem é também do Jardim Peri, na zona Norte.

Essa é cidade de São Paulo que muitos gostam de comparar com Nova York, mas não tenham dúvidas de que é muito mais parecida com qualquer país africano.

Essa outra imagem é da região de AE Carvalho, zona Leste; relativamente próxima do estádio de Itaquera.

Essa é a Cidade para a qual temos de legislar e para a qual boa parte dos Vereadores desta Casa trabalha permanentemente, pois são dela provenientes e a ela se dedicam.

Essa é a região mais preservada e bem equipada da cidade de São Paulo. Se formos analisar o Plano Diretor a fundo, veremos que ele foi baseado quase que totalmente nessas regiões: na região do centro expandido – sem dúvida nenhuma importantíssima – e naquelas que são os pulmões verdes de nossa cidade e que, portanto, têm de ser preservadas.

Ao falarmos do PDE, não podemos imaginar que estamos partindo da estaca zero, de uma grande área de terra onde iremos criar uma cidade, como ocorreu com Las Vegas ou Brasília. Temos de lembrar que faremos o Plano Diretor Estratégico de uma cidade que já tem 500 anos e, portanto, com um enorme passivo a ser resolvido, além de reclamar um necessário planejamento do futuro.

Nosso primeiro ponto em relação ao Plano Diretor é: por que contrariar o Estatuto da Cidade, que fala em um Plano Diretor de 10 anos, prazo que todos os planos diretores de São Paulo tiveram? Por que alterar isso para 16 anos? Por que engessar a Cidade dentro um mesmo Plano de 16 anos se sempre se falou em 10 anos? Se o Plano for excelente, após os 10 anos, que se dê continuidade a ele. Então, não é preciso contrariar o Estatuto da Cidade.

 

O Sr. Nabil Bonduki (PT) – V.Exa. concede aparte, nobre Vereador?

 

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – No momento oportuno, Vereador.

Temos também de lembrar que nós, brasileiros, não temos uma cultura típica e disciplinada como os anglo-saxões, e muito menos uma legislação de fiscalização como a de Cingapura. Sabemos dos problemas que a Cidade tem em função dos procedimentos ruins, da administração burocratizada e, principalmente, da cultura do cidadão brasileiro, que não é de estrito respeito às leis – o “jeitinho”, o “puxadinho”, sempre está presente em tudo o que se faz aqui.

Temos de lembrar também– e tínhamos consciência disso desde o início, nobre Vereador Nabil Bonduki – que o PDE não pertence nem à Câmara Municipal nem à Prefeitura. O PDE não é de um governo. Ele pertence à Cidade e deve levar em conta que precisamos melhorar a qualidade de vida do cidadão paulistano e destravar o desenvolvimento da nossa Cidade.

São Paulo é uma cidade com cerca de 1,5 mil quilômetros quadrados, com 11,8 milhões habitantes; portanto, uma cidade gigantesca. Não podemos imaginar fazer um Plano Diretor sem considerar essa imensa extensão de cidade que temos. E não vamos conseguir, obviamente, concentrar toda a população nos eixos. O Plano Diretor deve contemplar toda a Cidade, principalmente as áreas mais periféricas e as áreas mais distantes.

Essas são as regiões que temos de transformar em cidade, e que ainda não fazem parte dela. É um grande equívoco dizer que a construção de moradias no centro expandido vai colocar fim ao suplício das pessoas, ao suplício diário daqueles que levam duas horas e meia para ir ao trabalho e mais duas horas e meia para dele voltar.

Apenas a construção de moradias no Centro não vai resolver esse problema. O que temos de fazer, urgentemente, é melhorar a qualidade do nosso transporte público. Urgentemente! Mais ônibus, e ônibus de qualidade, com ar condicionado, câmbio hidramático; mais corredores; transporte hidroviário, como dispõe o projeto já aprovado do Vereador Ricardo Nunes, para a zona Sul. É preciso criar novas moradias no centro expandido, sem dúvida nenhuma, mas é preciso igualmente criar infraestrutura em todos os bairros da Cidade. Temos de levar para a periferia atividades que gerem empregos, cultura e lazer; enfim, todas as atividades com as quais possamos criar novas centralidades para a Cidade. São Paulo não vai ficar equacionada no entorno de apenas um centro expandido ou no centro de uma cidade desse tamanho. Precisamos de escolas em todas as regiões, centros de saúde, hospitais: enfim, infraestrutura em todas as regiões da Cidade.

Temos de lembrar que a Cidade é regionalizada. Os Vereadores Gilson Barreto e Toninho Paiva sabem: quem mora no Tatuapé quer continuar morando no Tatuapé; quem mora em Itaquera não quer se mudar de Itaquera. Da mesma forma, aqueles que moram em São Miguel e no Jardim São Luiz. O que eles querem é que essas regiões recebam investimento como o Centro expandido recebeu ao longo desses anos. Querem que essas regiões tenham lazer, tenham saúde, tenham educação, tenham transporte de qualidade, e sejam bem cuidadas e bem mantidas como é o Centro expandido da Cidade. Pergunte a quem mora na Lapa, a um lapeano, se ele quer se mudar de lá. Ou pergunte a um morador de São Miguel, como eu disse, se quer sair de lá. Não quer. Eles querem que sua região deles tenha boas condições para que ali ele more e crie seus filhos.

Há outro problema, cuja solução passa por uma ênfase maior na questão da regularização fundiária. Enquanto não fizermos, com rapidez e com agilidade, a regularização fundiária em partes da zona Sul de São Paulo – que são consideradas mananciais, até hoje, mas têm mais de 2 milhões de pessoas morando em cima deles -, não vamos levar atividade econômica para lá. Ninguém consegue aprovar a instalação de uma loja, de um comércio ou mesmo de um restaurante, porque lá não só as construções são irregulares como a própria terra é irregular. Isso, da mesma forma, ocorre em parte da zona Leste, no Jardim de Guaianases, mesmo em São Miguel, no Jardim Helena, por exemplo, que são antigos loteamentos clandestinos. Mas eram clandestinos 40 anos atrás. Há pessoas morando lá há mais de 40 anos. E por que não agilizar a regularização dessas áreas, para que possam receber atividade econômica e, portanto, empregos, para que sua população possa ali morar com qualidade de vida, sem ter de se deslocar até o Centro para vir trabalhar?

Se a Prefeitura, o Secretário de Planejamento Urbano, tivesse ouvido boa parte dos Vereadores desta Casa que conhecem essas regiões como a palma de suas mãos, certamente teria feito um Plano Diretor que evitaria tantas correções como estamos tendo de fazer, e que se adequaria muito melhor à realidade da Cidade do que o projeto que veio a esta Câmara. Se foi melhorado – e foi! –, assim ocorreu pela contribuição dos Vereadores que conhecem a Cidade, que trabalham em suas regiões e que estão em contato permanente com a população. Este é o ponto: a regularização fundiária na zona Norte, como o Vereador Claudinho de Souza mostrou-me nas diversas vezes em que eu estive lá.

Com relação à zona Sul, que tenho acompanhado permanentemente, e à zona Leste, nós evitaríamos que as pessoas tivessem de se martirizar, passando mais de cinco horas por dia dentro do transporte público, espremidas no calor ou no frio, sendo obrigadas a dispensar a presença da família e a companhia dos filhos para chegar a seu trabalho. Muita gente fica mais tempo dentro da condução do que no local de trabalho ou junto a sua família.

A Cidade precisa se desenvolver oferecendo empregos, desenvolvendo alternativas e oportunidades de empregos regulares. Por isso, fizemos algumas mudanças no Plano Diretor, permitindo a instalação, por exemplo, de serviços públicos de cultura e de esporte em regiões onde não existem vias coletoras. Nós fizemos algumas alterações que atenuam mas não resolvem o problema, de levarmos infraestrutura aos diversos bairros da nossa São Paulo.

PDE e transporte. As pessoas continuarão sendo transportadas e, portanto, é urgente que se melhore o sistema de transporte na Cidade e que se amplie principalmente o sistema de ônibus, o que é mais fácil e mais ágil de fazer. E que se faça uma melhoria de qualidade, como a CPTM fez ao longo dos últimos 20 anos no seu sistema de trens. Essa, obviamente, é uma mudança radical, para oferecer melhor qualidade de vida para os seus usuários.

Podemos ver uma frase de um artigo do Vereador Toninho Vespoli, publicado na Folha de S. Paulo do dia 24: “Defensores do transporte público alegam que a ideia é estimular o transporte público. No entanto, o sistema já está saturado e não há estudo de impacto. Também inexiste um planejamento que contemple equipamentos públicos para atender à população, que passará a viver perto dos eixos de transporte”. Nisso eu concordo plenamente com S.Exa., a questão do adensamento nos eixos de transporte. Adensar todo o eixo de transporte para coeficiente 4 é supor, como diz o nobre Vereador, que existam ônibus vazios passando pelos eixos de transporte, que as estações do metrô precisam de mais passageiros para ocupar os vagões, que o transporte está com grande qualidade. Quer dizer, adensar, de forma uniforme, todas as vias da Cidade, é um erro. Temos de passar o conceito de que adensar não é errado, mas fazê-lo de forma uniforme é querer tratar de forma igual coisas desiguais. Temos de estimular, primeiramente, os lugares que necessitam adensamento e não os eixos de transporte como um todo. Esse é um erro a ser corrigido.

Esse adensamento nos eixos de transporte e a tipologia de apartamentos que o Plano Diretor obriga a construir neles – que são apartamentos com 80 metros quadrados no máximo – vão fazer com que o apartamento da classe média seja absolutamente encarecido, porque ninguém vai construir. Todo mundo vai construir apartamentos de, no máximo, 80 metros quadrados, com uma garagem. O que vai acontecer? As gambiarras que já acontecem hoje: aprova-se um prédio com quatro apartamentos de 80 metros quadrados por andar, já com plantas prontas, para depois se demolir a parede interna e transformar dois apartamentos num de 160 metros. É isso o que vai acontecer. Vai se estimular a gambiarra, pois sabemos que, quando se força o mercado na direção errada, isso acaba acontecendo.

Ninguém é contra o adensamento, ninguém é contra essa tipologia. Apenas não usem isso de forma uniforme de ponta a ponta na Cidade. Isso está errado. Cada região tem suas peculiaridades e necessidades. Cada região tem suas características. Portanto, esse é um modelo de adensamento que deveria ficar, deve ficar para os planos regionais.

A mesma coisa ocorre com o gabarito máximo de oito andares para prédios localizados no miolo dos bairros. Por que estabelecer, de forma tão uniforme, apartamentos só de oito andares em todos os bairros? Como ficarão quarteirões que já têm, por exemplo, 60% de torres com 25 a 30 andares? Alguém vai construir predinhos de oito andares à sombra das torres? Lógico que não. Por que, então, numa cidade como São Paulo as tabelas de preço dos apartamentos em andares altos são mais caras? Porque o paulistano gosta de morar em andar alto. Esse é o modelo que a nossa cultura adotou e ao qual se adaptou. Para que mudar isso? Não há necessidade. Acho que o conceito de oito andares pode ficar também para os planos regionais, pois cada região tem suas características, tem seus problemas, tem suas peculiaridades. Não há como ser uniforme em regiões tão diferentes.

Zonas Estritamente Residenciais. Já se tentou de tudo para tirar as características das ZER. Foram feitos avanços, mas é preciso haver mais. Todo mundo imagina sempre as ZER como algo elitizado. Não é verdade, pois em mais de 22 subprefeituras há ZER, regiões que são o pulmão da Cidade, reservas verdes que a nossa cidade tem. Isso existe no mundo todo e o mundo inteiro preserva. Não há por que aqui ser diferente. Qualquer artigo que modifique o conceito de ZER tem de ser evitado e retirado. As ZER que foram desfiguradas ou apresentam algum problema crônico – e isso aconteceu no Jardim da Saúde, na Rua São Benedito, no Campo Belo e em Ermelino Matarazzo, numa antiga vila operária – podem ser modificadas. Agora, isso é um assunto a ser tratado nos planos regionais, juntamente com a Lei de Uso e Ocupação de Solo, não no Plano Diretor, que deve apenas dar as diretrizes, que deve determinar que as ZER são Zonas Estritamente Residenciais. Modificações em função de distorções e de ZER que já perderam suas características têm de ser feitas, mas nos planos regionais, na Lei de Uso e Ocupação do Solo.

Ocupação de imóveis de caráter cultural ou tombados nas Zonas Estritamente Residenciais. Esse tema tem de ser definido de forma individual. Cada uma das ZER tem características próprias. O uso do imóvel da antiga FEBEM, por exemplo, na ZER do Pacaembu, tem de ser definido especificamente a fim de não se descaracterizar a ZER, a fim de não atrapalhar o trânsito, etc. À Casa que abriga o Instituto Lina Bo, no Morumbi, por exemplo, pode ser dada uma utilização, mas o uso precisa ser caracterizado especificamente para se evitar que não haja uma desfiguração e que não se transforme em casa de eventos, como aconteceu com o Museu Brasileiro da Escultura, que durante um grande período passou a ser um bufê em plena Zona Estritamente Residencial. Agora já está repaginado. Temos de pensar nessas coisas se quisermos preservar a Cidade para os nossos descendentes.

É preciso modificar a forma como está redigido o artigo 27, inciso XLIV. Tenho certeza de que não, mas a sensação que dá é de que ele foi feito para atender a necessidade ou encomenda específica. Está errado e é preciso alterar.

É fundamental que as regras contratuais tenham validade, pois é fundamental que contratos sejam respeitados. Não pode, de repente, um Plano Diretor querer se sobrepor às regras contratuais de loteamentos instalados na Cidade há mais de 50 anos.

Ineficiência por parte da fiscalização. Problemas por parte da fiscalização da Prefeitura ou ineficiência da fiscalização não podem ser motivo para que as ZER sejam modificadas. E isso acontece mesmo. Aconteceu no meu período, aconteceu no período do meu antecessor, no do antecessor do meu antecessor e acontece hoje. As subprefeituras deixam o comércio e escritórios se instalarem dentro das ZER, por uma razão ortodoxa ou por razões heterodoxas. Como o brasileiro não tem uma mentalidade anglo-saxã, é importante que a lei seja rígida no sentido de que a Zona Estritamente Residencial seja estritamente residencial.

Sobre passeios públicos, o PDE menciona o alargamento das calçadas, mas não a sua manutenção. No filme que mostramos ontem sobre a Avenida Paulista, vimos a quantidade de camelôs. Calçadas de três metros, sem a previsão de como serão mantidas, resultarão em calçadas com mais buracos e camelôs.

Precisamos tratar a calçada como é, ou seja, a via pública do pedestre, da mesma forma que a rua é a via pública dos automóveis e a ciclovia é a via pública dos ciclistas. Quando se fala sobre esse assunto, sempre alegam não ter dinheiro para tal. Há dinheiro sim, pois é o mesmo dinheiro com que fazem os corredores de ônibus e as calçadas. Isso deve ser previsto conjuntamente. A via pública é da fachada de um imóvel à fachada do outro imóvel do outro lado. Não tem por que cada qual construir a calçada de um jeito. As calçadas devem ser uniformes, padronizadas e acessíveis. O PDE deve prever a manutenção das calçadas da nossa cidade, não só o seu alargamento. É importante lembrar isso, está lá outro vazio; então, não é que não há encaminhamento sobre as regras de como devem ser mantidos os passeios públicos.

Finalizando, imaginar que São Paulo seja uma cidade toda por igual, onde normas municipais são definidas por um poder central, nos faz lembrar o desastroso e fracassado planejamento centralizado soviético, provavelmente inspiração da Secretária Municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão, a Secretária protossocialista Leda Paulani. O que me preocupa é que está contaminando pessoas na Prefeitura. A nossa Secretária contaminou o Secretário Fernando de Mello Franco, que viu a cidade de São Paulo como se fosse uma grande área – quem sabe, como diz o nobre Vereador Aurélio Nomura, de helicóptero – e achou que se assemelha a Los Angeles ou a Paris ou a Las Vegas.

Mas, corrigindo, não podemos fazer o planejamento unificado. O Plano Diretor evoluiu bastante e posso dizer a todos, com toda a certeza, graças ao trabalho dos 55 Srs. Vereadores da Casa e dos Srs. Vereadores membros da Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente, em especial do nobre Vereador Nabil Bonduki, que além de tudo é Professor titular de Arquitetura da FAU, profundo conhecedor da Cidade e do assunto.

Esses são os pontos que entendo devam ser melhorados muito rapidamente. Não temos tempo para tratar de todos esses assuntos e votar o Plano Diretor Estratégico amanhã. Os Srs. Vereadores não podem abrir mão de seus mandatos e votar sob coação ou pressão. Não podem votar o Plano Diretor de forma acuada, e é isso o que me preocupa.

Constatei uma série de emendas que estão sendo propostas. Volto a insistir que emendas novas devem ser analisadas dentro do contexto do Plano Diretor, com profundidade e com o auxilio de técnicos. Não me sinto com capacidade de analisar sozinho o efeito dessas novas emendas ao Plano Diretor.

Portanto, precisamos de tempo para fazer esse trabalho. Que a sociedade e a imprensa tragam em manchetes o Plano Diretor, não como essas que estamos vendo todos os dias. Desde o início, só se fala em Plano Diretor nesse sentido. Nunca se fala no Plano Diretor com os avanços e melhorias, que pode trazer e está trazendo.

Não tenho somente críticas ao Plano Diretor, não. Assinei o relatório na nossa Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente, em nome do PSDB, mas sempre disse que podemos avançar muito mais. É por isso que insisto e peço a V.Exas. que não se apressem em votar. Não há necessidade. Podemos aproveitar os 30 dias do recesso, quando a Casa não funciona, para ler com calma, chamar os técnicos, discutir com calma e apresentarmos à sociedade paulistana um Plano Diretor que atenda desde ao MTST até aos moradores do centro expandido. Todos serão beneficiados, teremos orgulho, ele irá melhorar a qualidade de vida das pessoas, principalmente dos mais necessitados, daqueles que não moram no centro expandido ou dos que não têm casa para morar. Afinal quem mora no Centro – e sou um dos privilegiados, moro no centro expandido – não tem do que se queixar, eu não tenho do que me queixar. Não escondo, não tenho vergonha, gostaria que todos pudessem ter o privilégio e a sorte que eu tive na vida, gostaria mesmo, de coração.

Então, acho importante demandar, pleitear com jeito – como está acontecendo hoje. Estou vendo todos participando, ouvindo e, obviamente, podem opinar, vaiar, fazer o que quiserem. Mas é preciso demandar, pleitear e cobrar que a Câmara Municipal de São Paulo faça um Plano Diretor que atenda à Cidade como um todo.

Concedo aparte ao nobre Vereador Nabil.

 

O Sr. Nabil Bonduki (PT) – Precisarei apenas de meio minuto. Quero me referir a uma questão importante levantada por V.Exa. Antes, porém, quero parabenizá-lo pelas palavras, V.Exa. nos mostra que conhece a Cidade.

Ressaltaria que nós não estamos em desacordo com o Estatuto da Cidade, e seria grave se estivéssemos. O Estatuto da Cidade, em seu artigo 14, parágrafo terceiro, estabelece que a lei que institui o Plano Diretor exige revisão a cada dez anos. O nosso texto está estabelecendo no artigo 4º, parágrafo primeiro, que o Executivo deve encaminhar à Câmara proposta de revisão do PDE, elaborado de forma participativa, em 2021, portanto, sete anos. O Plano Diretor está contemplando o estabelecido pelo Estatuto da Cidade, que especifica que a revisão tem de ser feita no máximo em 10 anos. Assim, estamos atendendo a dispositivo da revisão do Plano Diretor no prazo estabelecido pelo Estatuto da Cidade.

Era só. Parabéns pelas suas palavras e vamos continuar a discutir em outra oportunidade.

Muito obrigado.

 

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – Aproveito para agradecer, mais uma vez, ao Prefeito Fernando Haddad. É importante dizer que o Sr. Prefeito, em nenhum momento, politizou a questão do Plano Diretor. Em momento nenhum, a não ser nesse finalzinho, até por uma questão dele. Mas em momento nenhum nos pressionou ou atrapalhou a discussão do Plano Diretor. Digo o mesmo do Secretário Fernando de Mello Franco, que esteve presente todas as vezes que solicitamos. E o Prefeito Haddad, desde o início, disse que não era para politizar o Plano, mas tratá-lo tecnicamente, o que foi feito pela Comissão de Política Urbana, pelos Srs. Vereadores até este momento. Espero que continuemos assim.

Agradeço aos meus colegas da Comissão de Política Urbana, aos nobres Vereadores que me reconduziram ao cargo, e ao Relator, Prof. Nabil Bonduki, pois, sem a participação de S.Exa., teria sido impossível chegar a bom termo esse trabalho.

Muito obrigado. (Palmas)