Falta de mobilidade atrapalha moradores da zona leste


Vereador Andrea Matarazzo discursa no Plenário da Câmara sobre problemas de mobilidade que os moradores da zona leste encontram diariamente.

Sra. Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, boa tarde. Agradeço ao nobre Vereador Jonas Camisa Nova pela cessão de seu tempo.

Quero falar sobre alguns problemas que temos observado na cidade de São Paulo.

Moradores da zona Leste de São Paulo têm sofrido com a falta de mobilidade e a má execução de projetos. Também passageiros de ônibus que precisam ir da zona Norte até o Centro perdem muito tempo, já que a obra de corredor de ônibus, na região, não termina.

A Av. Aricanduva tem um dos piores trânsitos da Cidade. Nos horários de pico, os congestionamentos se estendem por toda a zona Leste, e um dos principais problemas na região é a falta de acesso da Av. Gualtar para a Av. Aricanduva, que ficou prejudicado pela construção do CEU Aricanduva.

– O orador passa a referir-se às imagens exibidas na tela de projeção.

SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – Este CEU foi construído pela ex-Prefeita Marta Suplicy. Podemos ver que planejamento não foi o forte do Governo de S.Exa.

Os senhores podem notar que entre um pedaço do CEU e o outro há uma avenida, que acabou sendo interditada para que os dois blocos daquele equipamento funcionassem como uma área integrada.

Esse assunto perdura desde a legislatura da Sra. Marta: passou pela gestão do Sr. Serra, do Sr. Kassab, e continua até hoje. O que deveríamos fazer nesse caso? O ideal seria unir as duas áreas, mas, infelizmente, isso criará um problema enorme aos moradores da parte de trás daquela avenida que, para terem acesso às zonas Norte e Leste, precisariam dar uma volta imensa.

Há possibilidade, como obra compensatória do Shopping Center Aricanduva, de se construir uma passarela de um bloco a outro do CEU. Peço aos Srs. Vereadores do PT que levem esse assunto ao Sr. Prefeito Fernando Haddad, porque isso facilitaria enormemente a vida dos moradores daquela região. Bastaria construir uma passarela de um bloco a outro, não prejudicando em nada, a não ser uma pequena escada que seria feita pelo próprio Shopping Aricanduva, que faria isso sem problemas, como obra compensatória.

Outro dia também estava lendo no jornal Agora uma matéria sobre a paralisação das obras da Av. Inajar de Souza: o corredor que liga a Praça dos Correios, no Centro, até o Terminal Vila Nova Cachoeirinha, na zona Norte, totalizando 14,6 km. O custo da obra é de R$ 169 milhões, sendo que R$ 129 milhões deveriam ser enviados pelo Governo Federal.

O Sr. Prefeito Haddad, como sempre, terceiriza a responsabilidade, dizendo que o Governo Federal não está enviando os recursos. Entretanto, é bom lembrarmos que a Av. Inajar de Souza, da mesma forma que outras obras da Prefeitura, também está absolutamente paralisada.

Semana passada, fiquei muito chocado ao visitar a favela de Paraisópolis. Impressionou-me ver o contraste entre a Paraisópolis que foi urbanizada durante os Governos Serra e Kassab, com o programa de urbanização de favelas, e a Paraisópolis sem urbanização, com obras paralisadas pelo Sr. Prefeito Fernando Haddad.

É triste ver ao que se reduziu a Favela de Paraisópolis. Nela há o Córrego Antonico, que percorre ruas, passa por dentro e por debaixo das casas, o cheiro é insuportável, há muita sujeira e a insalubridade na região é absurda. E como agora estão fazendo uma novela chamada I Love Paraisópolis, temos de lembrar que infelizmente o Sr. Prefeito Haddad não ama Paraisópolis, ao contrário do título da novela. Seria muito interessante que, um dia, o ex-Vereador Rolim convidasse o Sr. Prefeito Fernando Haddad para conhecer a região. Provavelmente, o Sr. Prefeito deve ter ido na época da campanha, e não deve ter prestado atenção no lugar, nem sabia onde estava, pois foi lá para pedir votos. O Sr. Prefeito precisaria voltar na região e ver, com os próprios olhos, o que a falta de obras está fazendo naquele local. Como o nobre Vereador Alfredinho está me pedindo para diminuir o tom, vamos falar das propostas, de programas.

Há um programa importante para os dependentes químicos, o Programa Equilíbrio, que é feito pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, no Clube-Escola Raul Tabajara. Esse programa atende cerca de 300 crianças oriundas da região central, da Cracolândia, com uma taxa de sucesso, com o retorno das crianças aos seus lares, de cerca de 40%. Esse programa recebeu menção e prêmios de várias entidades internacionais pela forma como é feito o tratamento e a manutenção das crianças e de suas famílias naquela região, mas fiquei chocado ao ver que a Prefeitura de São Paulo, que a Secretaria Municipal de Saúde, vai fechar o programa! Disseram que vão cancelar o convênio de um programa tão importante como esse, e não é a primeira entidade que a Prefeitura fecha, em detrimento do tratamento da dependência química, a fim de privilegiar o grande fracasso da gestão: o Programa de Braços Abertos. Esse é um programa que podemos chamar: “Programa de Braços Abertos para o Fracasso”. Chamamos a atenção porque o assunto é grave e merece atenção especial.

Muito obrigado, Srs. Vereadores.