História abandonada


​São Paulo é a cidade com a história mais rica do país. Nesses 461 anos, os indígenas originais, aliados aos imigrantes do mundo inteiro e aos brasileiros de todas as regiões, contribuíram para formar a maior cidade do país, com seus mais de 10 milhões de habitantes.

​Cada um que por aqui passou deixou seu pedaço nessa história. Relíquias arqueológicas, prédios, casas, fábricas, parques, cemitérios e museus formam o patrimônio que conta a transformação da pequena vila em uma megalópole.
​Infelizmente, como mostrou a edição de domingo passado deste Diário, o patrimônio de São Paulo está abandonado. Dos 23 pontos de São Paulo tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a maioria passa despercebida pela população.

​Edifícios históricos em ruínas, sem qualquer proteção. Alguns prédios restaurados, mas fechados ao público por falta de seguranças. O descaso com o patrimônio é inaceitável. Exemplo é o Sítio Mirim, em São Miguel Paulista. Uma relíquia arquitetônica do século 18, a casa da fazenda está em ruínas, com as paredes que restaram pichadas por vândalos. Isso em uma região carente de locais de lazer. Bem cuidado, o Sítio Mirim poderia ser um parque, uma opção de diversão para a população.

​Seria demais esperar que o governo federal (responsável pelo Iphan) e a prefeitura (que tem que cuidar da zeladoria dessas regiões tombadas) se preocupassem com o passado. Afinal, as gestões do PT não conseguem cuidar nem do presente, tal sua incapacidade.

​Soluções não faltam. Quando fui secretário da Cultura, usei leis de incentivo para atrair parceiros para recuperar o patrimônio estadual. É preciso firmar mais parcerias com o Estado e a União para tornar esse patrimônio histórico fonte de lazer e de cultura para a população. Além de dar mais agilidade aos órgãos de controle para autorizar reformas e adaptações.

​A cidade de São Paulo tem uma rica e bela história que precisa ser conhecida e utilizada. Como apaixonado pela minha cidade, quero cuidar de seu passado para escrever o presente e planejar o seu futuro.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 22 de março de 2015.

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