A importância dos funcionários de carreira para o poder público


Leia o que disse Andrea Matarazzo sobre o funcionalismo público e entenda sua visão sobre os funcionários de carreira.

Sr. Presidente, quero parabenizar a ênfase com que o nobre Vereador Toninho Vespoli defendeu a categoria.

Realmente, no início da gestão, achei que o Prefeito Fernando Haddad fosse valorizar o funcionalismo público da Prefeitura. S.Exa. inclusive disse que não aceitaria nenhuma indicação dos Srs. Vereadores – pessoalmente achei um erro -, porque daria as subprefeituras a engenheiros de carreira. Vimos que isso durou muito pouco tempo. Os engenheiros de carreira começaram nas subprefeituras e, depois, – pelo que vimos – o Sr. Prefeito parece que não gostou da atuação deles e substituiu praticamente todos por novos subprefeitos.

Pessoalmente acho que essas carreiras da Prefeitura têm de ser efetivamente valorizadas. Há desequilíbrios entre os valores dos salários mais altos e os valores dos salários iniciais. Esses são os ajustes que têm de ser feitos, além de capacitação, treinamento, entre outras coisas. Não se deve jogar a culpa sobre tudo em cima dos funcionários públicos.

Tenho legitimidade para falar sobre isso porque vim do setor privado e tinha a impressão de que a culpa era sempre do funcionário público. Quando passei a atuar no Estado, vi que quem carrega o piano, efetivamente, são os funcionários de carreira, os que estão há anos na máquina pública e que acabam – como disse o nobre Vereador Toninho Vespoli – ensinando àqueles que estão em cargo de comissão ou aos terceirizados. Não tenho a menor dúvida disso.

– Manifestação na galeria.

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – (Pela ordem) – Obviamente, como em toda organização, há bons funcionários públicos e os que têm problemas, como em qualquer tipo de organização, seja pública ou privada. Mas, a responsabilidade do funcionário público é algo que temos de valorizar muito, porque são eles que fazem a máquina andar com todo tipo de problema.

Basta imaginarmos uma empresa privada que muda um Diretor a cada seis meses; como em Governos se mudam Ministros ou Secretários. A empresa quebraria em dois anos. No entanto, a máquina pública continua andando, não obstante, troquem-se as chefias sem o menor critério e sem levar em conta o tempo.

Também quero me manifestar sobre essa questão da água, de que tanto se fala. Chamou-me a atenção o discurso do meu amigo Vereador Ricardo Young, eleito pelo PPS,  um homem que vem do setor privado, tem responsabilidade e que é ambientalista. Não posso acreditar que S.Exa. use os mesmos critérios do meu primo Senador Eduardo Suplicy, que quer aproveitar a oportunidade seja ela qual for, quando disse neste Plenário, que vai faltar água. Não é praxe do nobre Vereador Ricardo Young ser um profeta do apocalipse. Tenho certeza de que não, como não me parece razoável o Sr. Eduardo Suplicy achar que pode carregar o Sr. Alexandre Padilha nas costas sozinho, como quis demonstrar noutro dia num esforço sobre-humano para alguém com 73 anos, e considerando que o Sr. Padilha não é pequeno, não é, Sr. Presidente?

O SR. PRESIDENTE (José Américo – PT) – Sim, pesa mais de 90 kg.

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – (Pela ordem) – E não tem alça, não é? Esse é outro problema.

Quero dizer ao nobre Vereador Ricardo Young que S.Exa. faz parte do Governo Geraldo Alckmin. Há quatro anos governam São Paulo juntos e o nobre Vereador, como ambientalista, deveria ter alertado o Sr. Governador se o problema não era climático e sim técnico, no seu ponto de vista.

Por isso peço ao nobre Vereador Ricardo Young que mantenha a coerência que  sempre teve. Criticar agora o Governo do qual faz parte não me parece um ato de alguém com a coerência e com a história que o Sr. Vereador Ricardo Young sempre teve.

Era só para chamar a atenção para isso, porque penso que a questão de água é muito séria para nós ficarmos brincando de fazer CPI ou de dizer que falta água por causa da Sabesp. Pode faltar água por uma série de motivos. Certamente, o papel da Sabesp é o de tratar a água e levá-la até as casas.

O PT deveria dar graças a Deus pela seca, porque, se o Prefeito Haddad hoje tem quase 50% de rejeição, é porque não choveu; se tivesse chovido teria chegado a 60% ou 70%, certamente.

Muito obrigado. (Palmas)