No infinito da cidade

Costumo pensar São Paulo como uma cidade infinita. Porque se passam os anos e sempre conseguimos achar uma novidade interessante aqui na capital. Aos que não conhecem o bairro de Parelheiros, eu recomendo que reservem um fim de semana para visitá-lo e se surpreender com a riqueza natural e cultural na Zona Sul, a menos de 50 quilômetros do Centro.

Em Parelheiros, o visitante vai encontrar mata atlântica, cachoeiras, aldeias indígenas e até uma cratera produzida pela queda de um meteorito. A Cratera de Colônia, tombada pelo Condephaat, foi descoberta em 1961 por acidente, a partir de fotos aéreas. Com idade estimada de 36 milhões de anos pelos cientistas – embora ainda não tenham sido encontradas evidências conclusivas sobre a origem – desde os primeiros estudos foi caracterizada como astroblema (cicatriz produzida na crosta terrestre pela queda de um meteorito gigante ou cometa).

Há mais de 30 na região, que ainda abriga a nascente das represas Billings e Guarapiranga (responsáveis por 30% do abastecimento de água da região metropolitana). Para visitá-las, é possível fazer desde trilhas simples até descer a Itanhaém, caminhando 25 quilômetros.

Também vale a visita às tribos guarani Aldeia Krukutu e Morro da Saudade, para conhecer os costumes do povo indígena. Outra comunidade representativa na região são os japoneses, que vieram para o Brasil em grande número após a Segunda Guerra e trouxeram a filosofia oriental. Em Parelheiros construíram o Solo Sagrado, área de mais de 300 mil m² dedicada à purificação espiritual. Os imigrantes italianos também estão representados ali, com a Capela de São Sebastião, construída em 1904.

Parelheiros é a prova de que São Paulo é muito mais do que trânsito, estresse e arranha-céus, mas é também uma cidade única por sua diversidade. Vale a pena descobrir cada pedaço desta maravilhosa metrópole.

Andrea Matarazzo é secretário de Estado da Cultura

Diário de São Paulo
Formador de Opinião

Uma Luz na cultura paulistana

Foi retomada no final de setembro a demolição da antiga Rodoviária de São Paulo, em frente à Praça Júlio Prestes, na Luz, Centro da capital. Os tratores haviam parado de derrubar o prédio em agosto, quando uma das empresas que perderam o contrato de R$ 3,5 milhões para a demolição contestou a licitação na Justiça.

Política e cidade limpas

Todos sabemos o imenso apoio que a Lei Cidade Limpa recebeu quando foi implantada em São Paulo, em 2007. Na época, pesquisas apontaram 90% de aprovação às novas regras, que retiraram das vias públicas toda propaganda exagerada, banners, gigantescas capas sobre edifícios, outdoors, faixas, placas, entre muitos outros.