Tesouro histórico descoberto

É surpreendente perceber quanto patrimônio desconhecido existe em São Paulo. Recentemente, descobri um tesouro chamado Fazenda Santa Gertrudes, no interior do estado. A fazenda era o latifúndio Sítio Grande, que pertenceu à família do Barão de Jundiaí, do Conde de Parnaíba e do Conde do Japi. Essas três personalidades têm, em comum, o ímpeto pela modernização. Por isso foram importantes para a história paulista. Foram eles os responsáveis pela construção da ferrovia Mogiana, pelo desenvolvimento da cultura do café no estado e pela troca do trabalho escravo pela mão de obra livre estrangeira – inclusive, construíram a Hospedaria dos Imigrantes do Brás (onde hoje é o Memorial do Imigrante), marco do progresso do país.

Estes momentos históricos estão vivos em cada metro quadrado da Fazenda Santa Gertrudes. A casa principal, por exemplo, é um projeto de Ramos de Azevedo no século 19. Só por isso, já vale uma visita. O zelo com que a proprietária conservou não só os imóveis, mas também o mobiliário e a louça de época é uma demonstração de respeito pela história do país. A fazenda também mantém, ainda originais, os terreiros – espaços onde os grãos de café eram secos -, a tulha, onde o café era estocado e os grãos, separados, e a casa de máquinas, onde ele era processado.

Há ali as moradias de imigrantes, em sua maior parte italianos, que vinham ao Brasil em busca de trabalho. Um dos conjuntos é mantido exatamente como na época. Mas a fazenda da família também guarda uma lembrança do triste período da escravidão. Onde hoje fica a capela, de acordo com os técnicos que estiveram no local, era a antiga casa-sede e, no subterrâneo, a antiga senzala. Conhecer a Fazenda Santa Gertrudes foi, para mim, uma viagem pela história de São Paulo. Em tempo: a proprietária, em um gesto de generosidade e com o objetivo de preservar esse tesouro para o futuro, procurou o Condephaat para pedir o tombamento do imóvel.

Andrea Matarazzo é secretário estadual da Cultura de São Paulo.

Diário de São Paulo
Formador de Opinião

Itaquera, 2014 e o futuro

Apesar da polêmica formada em torno da notícia, Itaquera pode ser a sede da Copa do Mundo de 2014 em São Paulo. Se a escolha se confirmar, será um merecido presente a um bairro em pleno desenvolvimento e que estará preparado para receber pessoas do mundo todo daqui a três anos. Neste mês, Itaquera comemora 135 anos. O dia 6 de novembro foi definido como data de fundação de Itaquera – que, em tupi-guarani, quer dizer pedra dura – por ser o dia da inauguração da estação de trem local, mas há referências anteriores ao bairro. Mas foi por meio do trem que o progresso foi chegando à região, de forma um tanto desorganizada, mas seguindo a industrialização de São Paulo. Foi assim que o pequeno povoado tornou-se a grande Itaquera.

Tanto pela localização quanto pelo potencial econômico e social, Itaquera é o coração da Zona Leste. Recentemente, importantes obras foram feitas para melhorar o acesso à região, como o Complexo Jacu-Pêssego, que liga o bairro à Rodovia Ayrton Senna, e a Rodoviária Intermunicipal, em construção ao lado da estação de metrô Corinthians -Itaquera. O bairro também tem uma boa estrutura de lazer, contando, entre as opções, com o maior parque da cidade. Com 1,5 milhão de metros quadrados, o Parque do Carmo recebe 8 mil pessoas por fim de semana. Além dos lagos, do playground e do cafezal, o parque reabriu recentemente o planetário. Um passeio que merece ser feito!

Outro local que atrai pessoas não só da Zona Leste é o Sesc Itaquera, que tem ampla programação cultural e esportiva para todas as idades. Itaquera tem também a escola de samba Leandro de Itaquera, que se prepara para voltar ao grupo especial no Carnaval 2011. Há muito o que fazer em Itaquera, é verdade. Mas nada melhor do que o incentivo de receber a abertura da Copa do Mundo para desencadear os investimentos necessários para ser ainda mais representativa para a população da Zona Leste e também para toda a nossa cidade.

Andrea Matarazzo é secretário estadual de Cultura de São Paulo.


Coluna: Formador de Opinião
Jornal Diário de São Paulo

Cidade Tiradentes, crescimento e arte

Como o próprio nome diz, Cidade Tiradentes é mais do que um bairro paulistano. Localizada no extremo leste de São Paulo, a 35 quilômetros do Centro, é como uma pequena cidade em desenvolvimento dentro da metrópole. Na década de 80, ser um bairro-dormitório foi a primeira função de Cidade Tiradentes, que abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina. Hoje, com 220 mil habitantes, tornou-se mais do que isso. A convivência intensa entre os moradores, a chegada de comércio e serviços transformaram a região.

A vitalidade de Cidade Tiradentes é nítida quando vemos tantas pessoas se encontrando no Parque Vila do Rodeio, antes uma área abandonada que se transformou em ponto de lazer e lugar de preservação ambiental. Também é impressionante o quanto se produz e se difunde a arte em Cidade Tiradentes. Fruto da demanda cultural e da mobilização dos moradores, em breve serão abertos ao público o Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes e uma das nove unidades das Fábricas de Cultura que chegarão à periferia da capital.

Talvez por ter grande população jovem, o funk predomina na região. Ali foi criado o Baile do Permitidão, o chamado “funk do bem”, assim como o primeiro estúdio público para gravação de CDs, que fica na Estação de Juventude, na Avenida dos Metalúrgicos. Avenida, aliás, que passou por revitalização e hoje é muito estimada pelos moradores. Lá e nas diversas pracinhas as pessoas saem às ruas, encontram-se, conversam, exercem sua cidadania, enfim, usam os espaços públicos.

Ainda há muito a ser feito na infraestrutura do bairro, como calçadas, asfalto, postos de saúde e creches. E transporte – a população de Cidade Tiradentes será integrada a São Paulo quando o Expresso Tiradentes estiver finalizado, reduzindo para 50 minutos o tempo do longo percurso do bairro até o Centro.

Andrea Matarazzo é secretário estadual da Cultura de São Paulo.

Diário de São Paulo
Formador de Opinião

Modernidade e tradição – Mooca

Um dos mais antigos bairros da cidade de São Paulo, a Mooca surgiu em 1556 e, desde a sua fundação, consegue unir, de forma harmônica, a riqueza histórica e a modernidade da metrópole. O contraste já aparece na fachada dos antigos casarões e galpões de fábricas ao lado de casas modernas. Nas ruas estreitas e pequenas vilas paralelas às grandes avenidas. Em meio à agitação da cidade, um bairro onde ainda é possível ver a solidariedade e a amizade entre os vizinhos. É um bairro, aliás, pelo qual os moradores têm amor.

Atualmente com mais de 60 mil moradores, a Mooca, assim como o Brás, contam com ótima infraestrutura de lazer, serviços e cultura. Ao mesmo tempo, o bairro mantém preservados patrimônios e tradições, como a festa de San Gennaro e o Clube Atlético Juventus. Na rua Monsenhor de Andrade, esquina com a rua do Bucolismo, no Brás, ainda podemos ver o Moinho Matarazzo, inaugurado em 1900, hoje desativado, que foi a primeira fábrica de grande porte da América Latina. Já na rua Borges Figueiredo, há o Moinho Santo Antonio, antigo moinho da família Gamba, ainda em funcionamento.

A forte presença da imigração italiana é perceptível não só pelo sotaque de seus moradores mais antigos, mas também pela gastronomia. Locais tradicionais como a pizzaria São Pedro, a cantina Giggio e a doceria Di Cunto há décadas servem pratos típicos da Itália. Pessoalmente, a região me traz grandes recordações. Lembro das fábricas Matarazzo, que eram símbolo do potencial de produção e trabalho de São Paulo. Também guardo na memória as festas da igreja de Casaluce, na rua Caetano Pinto, Brás, onde trabalhei por muito tempo, que além dos sabores, marcaram pela alegria e energia de trabalho dos imigrantes e descendentes italianos. Não por acaso, é nessa área tão marcado pela imigração europeia que foi instalado o Memorial do Imigrante, atualmente fechado para restauro. As ruas da Mooca são uma viagem pela história do desenvolvimento de São Paulo.

Andrea Matarazzo é secretário estadual de Cultura de São Paulo.


Fonte: Jornal Diário de São Paulo
Formador de Opinião

No infinito da cidade

Costumo pensar São Paulo como uma cidade infinita. Porque se passam os anos e sempre conseguimos achar uma novidade interessante aqui na capital. Aos que não conhecem o bairro de Parelheiros, eu recomendo que reservem um fim de semana para visitá-lo e se surpreender com a riqueza natural e cultural na Zona Sul, a menos de 50 quilômetros do Centro.

Em Parelheiros, o visitante vai encontrar mata atlântica, cachoeiras, aldeias indígenas e até uma cratera produzida pela queda de um meteorito. A Cratera de Colônia, tombada pelo Condephaat, foi descoberta em 1961 por acidente, a partir de fotos aéreas. Com idade estimada de 36 milhões de anos pelos cientistas – embora ainda não tenham sido encontradas evidências conclusivas sobre a origem – desde os primeiros estudos foi caracterizada como astroblema (cicatriz produzida na crosta terrestre pela queda de um meteorito gigante ou cometa).

Há mais de 30 na região, que ainda abriga a nascente das represas Billings e Guarapiranga (responsáveis por 30% do abastecimento de água da região metropolitana). Para visitá-las, é possível fazer desde trilhas simples até descer a Itanhaém, caminhando 25 quilômetros.

Também vale a visita às tribos guarani Aldeia Krukutu e Morro da Saudade, para conhecer os costumes do povo indígena. Outra comunidade representativa na região são os japoneses, que vieram para o Brasil em grande número após a Segunda Guerra e trouxeram a filosofia oriental. Em Parelheiros construíram o Solo Sagrado, área de mais de 300 mil m² dedicada à purificação espiritual. Os imigrantes italianos também estão representados ali, com a Capela de São Sebastião, construída em 1904.

Parelheiros é a prova de que São Paulo é muito mais do que trânsito, estresse e arranha-céus, mas é também uma cidade única por sua diversidade. Vale a pena descobrir cada pedaço desta maravilhosa metrópole.

Andrea Matarazzo é secretário de Estado da Cultura

Diário de São Paulo
Formador de Opinião

Uma Luz na cultura paulistana

Foi retomada no final de setembro a demolição da antiga Rodoviária de São Paulo, em frente à Praça Júlio Prestes, na Luz, Centro da capital. Os tratores haviam parado de derrubar o prédio em agosto, quando uma das empresas que perderam o contrato de R$ 3,5 milhões para a demolição contestou a licitação na Justiça.

Política e cidade limpas

Todos sabemos o imenso apoio que a Lei Cidade Limpa recebeu quando foi implantada em São Paulo, em 2007. Na época, pesquisas apontaram 90% de aprovação às novas regras, que retiraram das vias públicas toda propaganda exagerada, banners, gigantescas capas sobre edifícios, outdoors, faixas, placas, entre muitos outros.