Matarazzo cobra atitude do prefeito


Leia o que disse Andrea Matarazzo sobre o tratamento dado a moradores de rua.

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSD) – (Pela ordem) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, acredito que chamou a atenção de todos desta Casa o que temos assistido todos esses dias com relação ao frio e ao abandono da população de rua à sua própria sorte. Cinco pessoas morreram até agora. Algo inédito em uma cidade como São Paulo. Será que essa é a São Paulo acolhedora do Sr. Prefeito Haddad? Essa é a São Paulo inclusiva e moderna que o Sr. Prefeito Haddad tanto canta por todos os ventos?

O que temos visto durante as madrugadas mais frias das últimas décadas são centenas de pessoas largadas, dormindo embaixo de marquises, monumentos ou mesmo nas calçadas descobertas.

Hoje ouvimos uma discussão em que, cobrado sobre o fato de a Prefeitura estar recolhendo os colchões e caixas de papelão dos moradores de rua, S.Exa. o Sr. Prefeito de São Paulo disse que isso era feito para impedir a favelização das praças da Cidade.

Ora, faça-me o favor! Isso não resolve nem o problema das pessoas e muito menos o problema das praças. O que temos de ter é o abrigamento dessas pessoas, o cuidado com essa população de rua, afinal são 16 mil moradores de rua em São Paulo. Não é possível que não haja nenhuma política pública que tenha previsto, inclusive, o inverno que todos os anos acontece desde que o mundo é mundo.

É interessante dizer que o partido do Sr. Prefeito, o PT, que tanto criticou nossa gestão na época em que estávamos na Prefeitura, hoje dá uma desculpa esfarrapada que eu não chamaria de higienista, como nos chamaram, mas de omissão de socorro. E isso é crime.

Quando estávamos na Prefeitura, todos os anos nos preparávamos. A Secretaria de Desenvolvimento Social preparava a Operação Frentes Frias, quando eram ampliadas as ofertas de vagas nos albergues, eram treinados os assistentes sociais e disponibilizados veículos onde esses assistentes sociais passavam dias e noites acompanhando os moradores de rua, procurando vagas, encontrando locais adequados para que essa população pudesse se abrigar e não sofresse as agruras de um inverno tão cruel.

A resposta do Sr. Prefeito Haddad foi uma resposta cruel à Cidade, uma resposta cruel àqueles que tanto precisam. Um prefeito que dizia que faria uma gestão para todos, e o que temos visto é no máximo para alguns daqueles que comungam de suas ideias, que S.Exa. reputa de avançadas. Mas para mim, moderno e avançado é transformar São Paulo na cidade inclusiva, na cidade que cuida de todos e que se empenha em dar cobertura e assistência àqueles que estão nas ruas.

Quando fui chamado “higienista”, assim o fui porque ficava em cima desse assunto. As pessoas iam para os abrigos, procurávamos levá-las aos abrigos. Oferecíamos vagas, e até as encaminhávamos mesmo quando não queriam, para evitar justamente que debaixo do frio ou ao relento acabassem morrendo, ou pelo frio, ou de forma cruel, assassinados, como a gente sabe que aconteceu aqui em São Paulo. Nós estamos assistindo a um espetáculo dantesco na nossa cidade: o desmonte de todas as nossas estruturas sociais. A população abandonada, aqueles que mais precisam, na periferia de São Paulo, não recebem investimentos há muito tempo, basta dar uma volta pela Cidade para nós assistirmos aos espetáculos mais tristes que já vimos aqui. Basta irmos até a região da Cracolândia – e não só a da região da Luz, que é pertinho e deprimente pela quantidade de gente que hoje se encontra lá, mas pelas milhares de cracolândias que existem em São Paulo, sem nenhum acompanhamento da Prefeitura. É uma situação que não podemos aceitar, e eu exijo e cobro providências da Prefeitura para que ninguém mais morra por omissão de socorro do Poder Público.

Muito obrigado.