Muito além do “Braços Abertos”


Em janeiro de 2014, o prefeito Fernando Haddad lançava o programa “Braços Abertos”, tão alardeado pelo marketing petista como um paradigma destinado a revolucionar o atendimento aos dependentes químicos e se tornar política de referência não só na cidade, mas em todo o Brasil e até mesmo fora dele.

Dever de ofício,  como vereador, visitei a cracolândia neste janeiro de 2015. A situação é trágica, com milhares de pessoas vagando sem rumo e uma nova favela crescendo no lugar.

Se a intenção é encarar o desafio do crack com olhar transversal, (ação integrada de secretarias municipais como Saúde, Assistência Social, Trabalho, entre outras), o “modus operandi” é equivocado. Os dependentes químicos não podem ser tratados enquanto vivem ao lado dos traficantes e não serão curados trabalhando em locais cercado por outros dependentes sem nenhum tratamento.

Ainda não temos um modelo ideal, mas a estrada a ser construída passa, necessariamente, pela oferta aos dependentes de um lugar seguro em comunidades terapêuticas afastadas da zona de consumo e tráfico do crack.

Ao chamar a atenção da mídia para o Braços Abertos, o prefeito de São Paulo conseguiu afastar das manchetes o agravamento de outro quadro social: o abandono da população em situação de rua que, não necessariamente, está envolvida com o crack. Como nunca, essa população encontra-se completamente abandonada.

Na região central, a situação é crítica nos baixos de viadutos da Avenida 9 de Julho e  na Praça 14 Bis. Preocupante é o cenário  no Anhangabaú, Praça da República. Nos bairros,  a exclusão social também é grande. Na Leopoldina são mais de 400 pessoas vivendo em pleno passeio público. Não se sabe, após dois anos de gestão Haddad qual é a política municipal a fazer frente a esse quadro de miserabilidade.

Cracolândia e moradores em situação de rua são temas que não podem ser ideologizados. É necessário que  à luz da razão, os Poderes Públicos em São Paulo (Executivo, Legislativo e Judiciário), dialogando com a sociedade civil, se empenhem na construção de um verdadeiro paradigma de modelo de inclusão  que, livre de ideologias e partidarização, se consolide como política de Estado.