O abandono da São Paulo real


Nas visitas que faço a diferentes regiões – do centro expandido à periferia – encontro áreas completamente abandonadas pela prefeitura.

Faltam desde a simples zeladoria básica (limpeza de bueiros, capinação, variação, poda de árvores etc.) até serviços de Saúde e Educação.

Foi assim, por exemplo, na Zona Leste (Jardim Helena) e na Zona Norte (Jardim Peri, Jardim Antártica). Voltei, semanas atrás, ao Jardim Helena e vi que em dois anos nada melhorou por lá. O bairro está abandonado e o caos ainda existe ao longo do Córrego Vermelho.

Ao encontramos lixo e entulho jogados em esquinas e praças nos bairros da nossa cidade, numa indicação clara da ausência das subprefeituras, nos damos conta do perigo que isso representa diante do aumento dos casos de dengue em São Paulo. Somente nas seis primeiras semanas deste ano, foram registrados 563 casos, contra 214 em igual período do ano passado (aumento de 163%).

Na Saúde o quadro é igualmente preocupante. Se em dezembro de 2012, 5.557 mulheres estavam na fila da cirurgia ginecológica, em  fevereiro de 2015 esse número dobrou, saltando para 10.527 mulheres necessitando de intervenções cirúrgicas específicas.

Num panorama regional, percebe-se claramente a ineficiência do atendimento na rede municipal de saúde. Na Região Leste, por exemplo, a espera por procedimentos cirúrgicos ginecológicos aumentou em 5 meses e 15 dias. Na Região Norte, a espera por laqueadura passou de 76 dias para 159 dias.

No início da gestão Haddad, em dezembro 2013, 93.814 crianças aguardavam vagas no sistema de creches municipais. Durante a campanha eleitoral de 2012 a promessa feita foi a de zerar esse déficit. No entanto, em dezembro de 2014, a fila das creches aumentou, com a Secretaria Municipal de Educação registrando 94.191 crianças entre zero e 3 anos e 11 meses não atendidas.

O cenário é ainda mais complicado no sistema das Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs), que atendem crianças entre 4 e 5 anos de idade. Em dezembro de 2012 o déficit era de 2.346. Dois anos depois, esse número dobrou, saltando para 5.625 crianças não atendidas.

Para governar uma metrópole tão complexa como São Paulo, o prefeito Fernando Haddad precisa sair do seu gabinete no Edifício Matarazzo e circular pela cidade. Se deixar de lado a sua cidade imaginária e passar a conviver com a São Paulo real, ele se dará conta do pífio desempenho de seu governo.