O exemplo do padre Paolo


A paróquia Nossa Senhora da Paz, na Baixada do Glicério, realiza um trabalho excepcional de acolhimento aos imigrantes que chegam a São Paulo, sejam eles haitianos, sírios ou africanos.

Este trabalho comprova que somos uma cidade acolhedora e calorosa para quem decide aqui se instalar e construir uma nova história. O trabalho é comandado pelo padre Paolo Parise, que com tanto carinho e afeto dá abrigo e boa recepção aos estrangeiros. Ele chegou ao Brasil em 1992, vindo da Itália e trazendo na bagagem uma forte experiência no acolhimento a quem decide deixar seu país.

O padre Paolo faz parte da Missão da Paz, que lida diariamente com milhares de imigrantes vindos de diversas partes do mundo; hoje o volume maior é de haitianos. A paróquia oferece hospedagem, alimentação e o padre ajuda de maneira incansável o pessoal a encontrar emprego e se instalar de maneira mais adequada na cidade.

É uma tarefa gratificante e muitas vezes frustrante, porque os recursos são escassos e as ofertas de emprego cada vez menores num país afundado em crise econômica. Só para ficar no caso dos haitianos, cerca de 44 mil pessoas entraram no país entre janeiro de 2011 e julho deste ano, a maioria é de homens com idade de 19 a 45 anos, prontos para trabalhar e recomeçar a vida. Na semana passada, o esforço do padre foi recompensado, com a decisão do Ministério da Justiça de conceder residência permanente a 44 mil haitianos que por aqui vivem, causa pela qual ele tanto lutou.

Nesse trabalho, o padre Paolo dignifica a tradição paulistana de acolher os imigrantes com maestria. Seu esforço só reforça meu sentimento gratidão à cidade de São Paulo, que tão bem protegeu minha família quando aqui chegou no século 19. E o trabalho em torno da paróquia Nossa Senhora da Paz me enche de orgulho, afinal minha família teve participação importante na construção da igreja e lá meu pai e minha mãe se casaram.

São Paulo precisa devolver o carinho que a Missão da Paz e a paróquia lhe dá todos os dias. Somos uma cidade construída com o suor dos imigrantes, que não dá as costas a ninguém. Tenho certeza de que lugar melhor não há em todo o Brasil para estrangeiros iniciarem uma nova e feliz etapa de sua vida.

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