O preço das escolhas erradas


Os paulistanos estão assustados com os confrontos constantes na cracolândia da Luz nas últimas semanas e com a ocupação de novas áreas da cidade por traficantes e dependentes químicos, sem ação efetiva da Prefeitura.

Como mostrou este Diário, Jabaquara e Jaguaré sofrem com enormes cracolândias, semelhantes à original. A cidade também sofre com a proliferação do comercio irregular nas ruas de todas as regiões.

Quando estive na Prefeitura, na gestão de Gilberto Kassab, foi implementado um projeto, em parceria com o governador José Serra, que teve resultados concretos na redução da criminalidade: a Operação Delegada.

Nessa ação, policiais militares recebiam da Prefeitura para, nos horários de folga, ajudarem a Guarda Civil Metropolitana no patrulhamento da cidade. Os efeitos foram imediatos. A venda de produtos contrabandeados praticamente acabou. Nas regiões da Mooca, Santo Amaro e Sé, o convênio reduziu em até 70% a criminalidade. A ação de traficantes na cracolândia foi reduzida, devolvendo um pouco de paz aos moradores da Luz. Um sucesso inquestionável, que já foi levado pelo governador Geraldo Alckmin a 53 cidades do interior.

A cidade chegou a contar com 4.000 policiais trabalhando na operação. Desde 2013, porém, por uma questão política, o prefeito Fernando Haddad, do PT, deixou de lado a parceria com o governo do PSDB. Hoje, há menos de 1.800 homens na operação. No último ano de gestão Kassab, a Prefeitura investiu R$ 156 milhões na Operação Delegada. No ano passado, o valor caiu para R$ 62 milhões. A consequência óbvia foi o aumento da criminalidade.

Produtos piratas voltaram a ser vendidos livremente nas ruas. Furtos e roubos cresceram, principalmente nas regiões mal iluminadas pela Prefeitura. E a cracolândia saiu do controle, com ruas fechadas para a população e confrontos constantes.

Para tentar reduzir o problema, o prefeito prefere mandar emissários negociar com o tráfico do que reforçar o apoio de uma força institucional de segurança. Quem paga o preço dessas escolhas erradas do prefeito, como sempre, é o cidadão paulistano.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 10/05/2015

 

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