O retrocesso no combate aos camelôs


A sociedade desenvolvida costuma andar sempre adiante, mantendo as conquistas e corrigindo os problemas.

Em São Paulo, porém, a administração do PT segue a lógica inversa: piora o que já é ruim e estraga o que é bom.

É o que acontece com o comércio ilegal nas ruas. Quando fui secretário das Subprefeituras, nas gestões de Serra e Kassab, conseguimos tirar os camelôs do Largo da Concórdia, Largo 13 de Maio, no Centro Comercial de São Miguel e do Largo da Batata.

Foi preciso de trabalho intenso e muita fiscalização. Em uma parceria com o governo do Estado, lançamos a Operação Delegada, na qual policiais militares de folga recebiam um adicional da Prefeitura para ajudar no combate ao comércio clandestino. Além de devolver as ruas para os cidadãos e dar condições de concorrência justa aos comerciantes, a retirada dos camelôs ajudou a reduzir a criminalidade.

O comércio ilegal nas ruas incentiva o roubo e a receptação, pois 80% do que se vende na rua é de origem desconhecida — pirataria ou carga roubada. É claro que existem ambulantes com permissão para trabalhar e vender produtos legais em lugares específicos. Mas há uma extensa rede criminosa que contrata pessoas para distribuir o produto do crime. Na época em que estive na Prefeitura, dois terços dos ambulantes do centro vendiam contrabando e pirataria vindos da China.

É triste para a cidade ver que Fernando Haddad abandonou a fiscalização da venda de pirataria e carga roubada. Com a negligência da autoridade, os camelôs voltaram às ruas de todas as regiões.

O problema decorre da redução do número de policiais da Operação Delegada, que já teve quase 4 mil pessoas e hoje não chega a 1.500. A Prefeitura tenta jogar a culpa para o Estado, mas o fato é que a apreensão de produtos ilegais despencou, evidenciando a incompetência da atual gestão.

Acabar com o comércio ilegal e, com isso, reduzir a criminalidade, é simples e já foi demonstrado. Basta trabalho, dedicação e organização. O paulistano, como mostram as pesquisas, está cansado de um governo que prioriza o marketing e os factoides. O que a população gosta e quer é uma cidade limpa,  organizada e eficiente.

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