Ouvir para administrar melhor


Na última semana, comecei a fazer uma série de reuniões com competentes técnicos, amigos e muitos colegas de partido para ouvir sugestões para resolver os problemas da cidade.

Na terça-feira, discutimos zeladoria, meio-ambiente e infraestrutura. Dois dias depois, a mobilidade urbana. Nas próximas reuniões, os temas serão saúde, educação, cultura, assistência social e direitos humanos. São Paulo é uma cidade complexa, cada região tem suas demandas específicas. Por isso, além de muito planejamento, é necessário ouvir sempre a população. É o morador, que vive o dia a dia da metrópole, que sabe onde seu calo aperta.

É o que eu fiz nos sete anos que estive na Prefeitura, como subprefeito e secretário de Serviços e das Subprefeituras. Percorria todos os bairros, conversava, recebia líderes comunitários e usava as redes sociais para receber reclamações. Os subprefeitos não eram submetidos à lógica do loteamento político e tinham seus gabinetes abertos. Assim, ouvindo a todos, recapeamos mil quilômetros de ruas, pavimentamos 1.400 ruas de terra, reformamos 700 quilômetros de calçadas e despoluimos mais de cem córregos.

Quanta diferença com a atual administração, que vive encastelada em gabinetes, com subprefeitos que desconhecem a realidade. Não é de se estranhar que São Paulo ainda sofra com as enchentes. Se alguma das doze obras para conter as cheias em córregos, previstas no plano de metas, tivesse sido entregue, o morador da periferia não sentiria medo a cada trovoada. Nesses encontros, ouvi sugestões criativas para melhorar o ar que respiramos, como exigir na licitação do transporte público que as empresas operem apenas ônibus a álcool ou elétrico. Também foi sugerido o retorno e a ampliação dos ecopontos e a recuperação dos viveiros. Saio de cada um desses debates com a certeza de que São Paulo, que amanhã completa 462 anos, pode ser uma cidade muito melhor para todos. Principalmente se todos forem ouvidos.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 24/01/2016

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