Perigosa mão única


Aprendemos, ainda na escola, que democracia é um sistema de governo no qual os cidadãos, amparados por uma Constituição, gozam de uma série de direitos, e, não menos importante, estão sujeitos também a uma série de deveres. 

No Brasil, e em particular, na cidade de São Paulo, essa dinâmica vem sendo, ao longo dos últimos meses, sistematicamente rompida por diferentes setores da sociedade, que pensam ser possível a existência de um Estado democrático onde prevaleça a mão única dos direitos, ignorando e solapando a via dos deveres.
Alguns exemplos ilustram bem esse quadro, como as sucessivas ações do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), onde a justa reivindicação por moradia popular tem como prática consolidada métodos condenáveis como invasão de terrenos e truculência contra a Câmara Municipal, na tentativa absurda de coagir vereadores, que em momento algum se furtaram em dialogar com os manifestantes, afinal na mão dupla democrática, o Poder Legislativo é a Casa do diálogo e da mediação de conflitos.
No setor de transporte coletivo, uma minoria, reivindicando melhores salários, forçam passageiros a descerem dos ônibus, furam pneus, impedindo que os carros sigam viagem, e humilham a população que depende desse serviço para se deslocar de um ponto a outro da cidade. Isso tudo dentro de um contexto onde em Assembleia, a categoria aceitou acordo firmado entre o seu sindicato e o sindicato patronal. Na via de duas mãos da democracia, acordos são feitos para serem respeitados e não violados.
Diante de fatos como estes, as autoridades constituídas e as instituições são frontalmente atingidas, fragilizando o Estado democrático e de direito. Se entendermos que ele é a melhor forma de vivermos em sociedade e desfrutarmos de plena cidadania, é preciso que instituições, autoridade dos Poderes e o direito de todos sejam respeitados.