Plano Diretor é tema de discurso de Matarazzo


Veja o que disse o vereador Andrea Matarazzo sobre Plano Diretor Estratégico.

O SR. ANDREA MATARAZZO (PSDB) – Boa tarde, Sr. Presidente.

Efetivamente, hoje, estamos chegando a uma etapa importante do Plano Diretor Estratégico da cidade de São Paulo. O Plano Diretor é uma espécie de Constituição da cidade: mostra como a cidade está, diz o que precisa ser resolvido agora e planeja a cidade do futuro.

São Paulo, diferentemente do que muita gente pensa, não é uma cidade moderna, contemporânea e muito menos uma cidade desenvolvida. Pode-se entender assim no quadrilátero da Avenida Faria Lima até a Avenida Paulista, da Rebouças até a Nove de Julho. São Paulo é uma cidade que tem um imenso passivo, um imenso acumulado de problemas nos últimos anos. Basta sairmos do Centro expandido e chegarmos à zona Leste, no Jardim Pantanal; ou, na zona Leste, na região de Guaianases; ou quando se vai à zona Sul, passando-se pela Capela do Socorro; ou, na zona Norte, no Jardim Peri. O Vereador Vavá sabe bem o quanto Guaianases é complicado e quanto os investimentos são necessários. O Vereador Senival também conhece a região.

Insisto na questão da zona Norte. Quem me levou lá foi o Vereador Coronel Telhada para conhecer o Jardim Peri. Dificilmente encontra-se em qualquer cidade capital do Nordeste uma periferia tão pobre e tão miserável quanto o Jardim Peri, com condições desumanas de moradia. Até hoje existem palafitas de madeira sem o menor apoio de infraestrutura de serviços de lixo, de iluminação ou de asfalto. Essa é a São Paulo que o Plano Diretor precisa melhorar e nós precisamos fazer investimentos. Essa é a São Paulo que o Prefeito Fernando Haddad precisa se preocupar.

Sugiro aos Srs. Vereadores do PT que fizessem um convite ao Prefeito Fernando Haddad para que conhecesse a Cidade e que, pelas manhãs, S.Exa. visitasse a Cidade de automóvel, andasse pelas avenidas e ruas inclusive as não pavimentadas da periferia. Isso é muito importante.

O Prefeito Fernando Haddad precisa ouvir mais os Vereadores Alfredinho, Reis e ouvir menos a Secretária Leda Paulani, a protossocialista que conhece apenas a Cidade Universitária. O Plano Diretor teve esse objetivo.

O substitutivo foi feito pela Câmara dos Vereadores, pessoas que, pela própria atividade, conhecem a Cidade como ninguém. A Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente é composta por Srs. Vereadores com bases fortes, por conhecerem, por participarem e por entenderem as mazelas de suas regiões.

A maioria dos Srs. Vereadores daqui conhece a cidade de São Paulo e é neles que o Prefeito Fernando Haddad deveria se inspirar. É com eles que o Sr. Prefeito deveria se consultar. A base do Sr. Prefeito é grande, possui quase 50 Vereadores. É tanta gente boa que S.Exa. poderia ouvir e seguir os conselhos, da mesma forma que o Sr. Relator da Comissão de Política Urbana ouviu para elaborar o substitutivo, que hoje chega à sua fase final de encaminhamento para a primeira votação.

Todos nós, na hora de votar, temos de pensar não na São Paulo a que vamos todos os dias, não na São Paulo do Centro expandido, mas na São Paulo da periferia que tantos problemas enfrenta porque sempre esteve abandonada. A São Paulo da periferia passou a ser motivo de preocupação a partir do momento em que começamos a ter eleições diretas para Prefeito – até então ninguém se preocupava com a periferia.

A periferia sempre se sustentou sozinha, através de uma importante rede de organizações sociais e assistenciais. A sociedade teve de se unir para conseguir sobreviver às dificuldades de uma cidade deste tamanho.

São Paulo é aquela cidade que foi feita pelos imigrantes, por pessoas que vieram para cá para trabalhar, pessoas que foram humilhadas pelo Governador do Acre, do PT, que criticou os paulistas e paulistanos como se eles tivessem algum tipo de preconceito. Preconceituoso foi o Sr. Governador do Acre, que determinou que fossem embarcados em 50 ônibus os haitianos que lá chegaram, despachando-os para São Paulo sem avisar nem ao Prefeito Fernando Haddad nem a Governador Geraldo Alckmin. O Sr. Governador do Acre largou 500 pessoas à própria sorte numa cidade gelada e difícil como São Paulo. Essas pessoas sobreviverão graças ao acolhimento dos paulistanos. Não será graças ao governo petista do Acre, certamente; mas será, quem sabe, com o apoio dos petistas de São Paulo, como a Vereadora Juliana Cardoso, o Vereador Jair Tatto e tantos outros.

Por tudo isso, eu pediria que V.Exas. pensassem nessa São Paulo na hora de votar o Plano Diretor e na hora de emendá-lo, pois ele terá uma vida de pelo menos 10 anos. Ele está acima dos Srs. Vereadores e dos partidos, pois tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e destravar o desenvolvimento econômico de São Paulo. Muito obrigado.