Pompeia eclética


Poucos bairros de São Paulo são tão ecléticos em sua história quanto Pompeia.

Talvez por isso, seja o mais representativo da identidade paulistana em sua arquitetura, monumentos, recantos e marcos culturais. O bairro surgiu como um loteamento de chácaras, e em pouco mais de 100 anos tornou-se o motor do desenvolvimento industrial de São Paulo e o palco para o surgimento de um dos movimentos mais importantes do rock nacional. Hoje, vive o dilema da verticalização, com a transformação de suas vilas em edifícios.

A Vila Pompeia, como é registrada oficialmente, foi por muito tempo o coração da indústria paulista – e brasileira – concentrando tanto as fábricas quanto os trabalhadores, que vinham de toda a parte do mundo em busca de emprego. A planta fabril mais marcante da região, na divisa entre Pompeia, Barra Funda e Água Branca, é a das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, com suas três imponentes chaminés. Em 1986, o conjunto, considerado singular por sua autossuficiência, foi tombado pelo Condephaat. Não muito longe dali, já entre Pompeia e Lapa, a fábrica Petybon perfumava as ruas da região com cheiro de biscoito, uma lembrança indescritível.

A presença da indústria no bairro provocou também sua ocupação pelos operários, grande parte imigrantes europeus, em dezenas de vilas com sobrados geminados. Se na época da industrialização brasileira eram consideradas casas para famílias simples, hoje são disputadíssimas na metrópole paulistana e alvo constante de especulação imobiliária. As que resistem na Vila Pompeia preservam um clima de tranquilidade raro na cidade de São Paulo. Guardam, também, suas próprias histórias.

Na garagem de uma destas casas, na rua Venâncio Aires, o Brasil viu nascer na década de 1960 um jeito diferente de fazer rock’n’roll, com o surgimento da banda Os Mutantes. Ainda hoje cultuado no Brasil e no exterior, o grupo que revelou Rita Lee unia a paixão pelas guitarras a experimentações com ritmos brasileiros. Este lado cultural do bairro continua presente na programação do Sesc Pompeia que, construído nos galpões de uma das antigas fábricas da região sob projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, reúne memória e presente de maneira exemplar.