Prefeito negocia com traficantes na Cracolândia


O líder do PSDB na Câmara, vereador Andrea Matarazzo, critica a postura do prefeito Fernando Haddad em ação na Cracolândia.

Sr. Presidente, farei um comunicado de liderança mostrando a posição do PSDB, de repúdio, com relação à ação da Prefeitura, nesse final de semana, na região da Luz.

A Prefeitura pediu para que a Secretaria de Segurança Pública não interviesse, resolvendo fazer uma ação, por conta própria, para a desocupação da região da Cracolândia. O resultado foi um início de tumulto, quando, aí sim, pediu-se a intervenção da Polícia Militar, quando a situação já era crítica. Obviamente – e como sempre –. depois a Prefeitura veio a público dizer que a Polícia Militar criou problemas.

A Polícia Militar interveio no momento em que tinha de intervir, no momento em que foi solicitada pela Prefeitura. Errou a Prefeitura. Depois, ficou-se sabendo que houve negociações, ou que se estabeleceram negociações com o crime organizado da região, com os traficantes da região. Combinou-se com eles que se faria a desocupação e, provavelmente, deve ter se comprometido a não levar a Polícia.

Com certeza, isso não poderia dar certo. A última negociação que se fez com o crime organizado, custou – e custa – ao Rio de Janeiro aquilo a que assistimos todos os dias nos morros cariocas. Ou seja, quem com o crime acorda, com o crime concorda; quem com o tráfico acorda, com o tráfico concorda. Isso é inadmissível, considerando-se que o Poder Público e a Prefeitura do Município de São Paulo têm órgãos institucionais para isso. Mesmo a GCM – a Guarda Civil Metropolitana – hoje tem poder de polícia e, portanto, pode intervir e trabalhar, evitando-se, assim, esse tipo de negociação.

Aliás, o que queremos é que quem da Prefeitura fez esse tipo de negociação com o crime diga à Polícia quem são os traficantes que atuam naquela região. Vale lembrar que aquela região só é ocupada pelos dependentes químicos em função da presença dos traficantes permanentemente naquela região.

Infelizmente, a região da Luz, hoje, encontra-se refém do crime organizado e do tráfico de drogas. Todas as pessoas que moram lá não têm alternativa de melhorar sua qualidade de vida pela omissão da Prefeitura com relação àquela região.

De mais a mais, queria também comentar com o nobre Vereador Souza Santos que a Prefeitura que teve como meta este ano – e fala tanto no combate ao tráfico de drogas e à dependência química – a implantação de 26 CAPS na Cidade, até o dia primeiro de janeiro, ainda não havia sido iniciado nenhum deles. Dos 26 CAPS prometidos pela Prefeitura para serem feitos até 2016, não houve nenhuma ordem de início dada.

Ou seja, não há nenhum trabalho com relação à dependência química na cidade de São Paulo, a não ser aquela implementada pelo Governo do Estado e que diria ao Prefeito Fernando Haddad, se S.Exa. tem ainda algum interesse pela cidade, que me parece não ter, que procurasse fazer como fez com o Anhembi, que S.Exa. disse à Folha de S.Paulo ter copiado o modelo do Governo do Estado para a privatização do Anhembi.

Prefeito Fernando Haddad, copie o modelo implementado pelo Governador Geraldo Alckmin, junto com o Professor Laranjeira da Unifesp, para o combate à dependência química na região da Luz e nas diversas cracolândias que estão surgindo por aí.

Prefeito Fernando Haddad, convide as igrejas para ajudar nisso. As igrejas têm um trabalho importante no combate à dependência química. Ouça os Srs. Vereadores que sabem onde se encontram os graves problemas de dependência química na Cidade. Não se omita. O que V.Exa. vem fazendo com relação à dependência química na cidade de São Paulo é abandonar a população e principalmente os mais necessitados à própria sorte.