São Paulo degradada


Os monumentos históricos de São Paulo estão abandonados, acumulando sujeira, entulho e lixo. A cidade, infelizmente, está perdendo o seu brilho.

E a prefeitura está indiferente a essa destruição, ignorando os apelos da população por maior empenho no cuidado da nossa cidade.

Venho alertando há tempos sobre o estado de degradação das ruas, praças, cemitérios e monumentos. Mas, sem qualquer cuidado ou zelo, o prefeito Fernando Haddad se mantém indiferente aos problemas que se acumulam.

Lugares belíssimos como a Fonte dos Desejos, o Teatro Municipal, o Pátio do Colégio e o Largo da Memória estão sendo arruinados pela ação constante de pichadores. É uma pena como a memória de São Paulo está se perdendo pela incapacidade do nosso prefeito fazer o óbvio: cuidar da cidade.

Não é tarefa complexa deixar uma cidade limpa, bem cuidada e harmoniosa, mas exige capacidade e dedicação ao trabalho. Quando fui secretário municipal e estadual, me dediquei a cuidar bem da vida de São Paulo. Estabelecemos uma parceria com a iniciativa privada para a restauração da Subestação Riachuelo, que agora é um centro cultural. Recuperamos a passagem literária da Consolação, um ponto cultural tradicional para os paulistanos. E revitalizamos, em conjunto com o Condephaat, a Capela de São Miguel Arcanjo, construída em 1622 e considerada a mais antiga da capital.

Haddad deveria saber que a maneira como o poder público cuida da memória municipal é exemplo de como está sendo administrada todo o restante da cidade. Mas falta capacidade para ele perceber isso. Assim, continuamos sendo tratados com descaso, desdém e indiferença. Não se engane, caro prefeito, esses são os piores tratamentos que se pode oferecer à cidade que administra, porque o menosprezo se espalha como as pichações que desgastam e violam a beleza de São Paulo.

Movido pela negligência, o prefeito acaba aceitando toda essa sujeira como normal e permite que a cidade se deteriore. Quem não valoriza o passado não sabe cuidar do presente nem planejar o futuro.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 20/09/2015

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