A Prefeitura não faz a zeladoria da cidade


Veja as críticas feitas por Andrea Matarazzo sobre a forma como a prefeitura está trabalhando em São Paulo.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, quero aproveitar e dar continuidade a um assunto muito bem lembrado pelo nobre Vereador Calvo. Prestei atenção até porque é um assunto que sempre me interessou bastante e sou obrigado a discordar com alguma coisa que S.Exa. falou, como por exemplo, que às vezes o Sr. Prefeito não sabe o que está acontecendo.

Espero que, na maioria das vezes, o Sr. Prefeito não saiba o que está acontecendo, porque o que está acontecendo na nossa Cidade é simplesmente lamentável. E custa a qualquer pessoa imaginar que os acontecimentos de São Paulo, no que diz respeito à organização, ordem, zeladoria e manutenção, sejam alguma coisa deliberada. Espero que não, até porque nada de bom vem acontecendo, infelizmente, na nossa Cidade.

Alguns detalhes, vamos falar da região da Nova Luz que foi comentada pelo nobre Vereador Calvo. Acho que o principal ponto, um dos erros grandes que acontece lá é o projeto querer tratar dependentes químicos – e o Vereador Calvo é médico, portanto conhece o assunto – hospedando-os junto com outros dependentes químicos, no meio daquela própria região; querer tratar os dependentes químicos dando trabalho ou salário a eles sem nenhuma contrapartida, sem eles terem nenhuma obrigação de se tratarem, se cuidarem, frequentarem cursos de prevenção ou algo médico; e fazer com que eles trabalhem no meio de outros dependentes, principalmente sendo assediados permanentemente pelos traficantes que, infelizmente, frequentam a região.

Então um programa chamado de Braços Abertos acabou virando um factoide e um grande estimulador da alta de preços do crack na região da Luz. Antigamente aqueles hotéis eram usados pelo tráfico para hospedar dependentes químicos. Nós os fechamos. Hoje, infelizmente, essa utilização é feita de forma institucional, bancada pela Prefeitura, que dessa forma estimula a dependência química e estimula o tráfico na região, mantendo todos aqueles que moram na região da Luz reféns do tráfico de drogas.

A Polícia tentou agir e agiu diversas vezes como é sua obrigação e é a necessidade, contra a vontade do Sr. Prefeito, até porque todas as vezes que houve uma operação da Polícia Militar para impedir os traficantes de agirem na região, a primeira voz a criticar e a se levantar contra foi a do Sr. Prefeito.

Então aquela região, Vereador Calvo, infelizmente, lá sim eu acho que o Sr. Prefeito sabe o que está acontecendo. E como S.Exa. ao invés de buscar soluções, transformou um problema de saúde pública em uma questão ideológica, infelizmente e para a tristeza daqueles que estão lá gravitando na região como zumbis. Isso é com relação ao programa Braços Abertos.

Com relação à zeladoria, é importante dizer que as árvores estão caindo. Aliás, na sexta-feira, dia 13, caiu sobre o carro da Câmara. Foi uma árvore que caiu sem nem vento, sem fazer barulho. Por quê? Porque estava absolutamente comida pelos cupins.

Por que estão caindo tantas árvores neste ano? Façam a conta ou peçam para a Secretaria das Subprefeituras o número de árvores podadas nos anos de 2008 e 2009 e compare-o ao número de árvores podadas na Cidade em 2013 e 2014. Em 2013 e 2014, podaram muito menos árvores e tiraram menos árvores também. Por quê? Não estava chovendo e a Prefeitura abandonou esse serviço.

Obviamente, no momento em que as chuvas se intensificam, como é o caso deste mês e do mês passado, as árvores que não foram suprimidas em 2013 e 2014, já corroídas pelos cupins e sem manutenção por dois anos, começaram a cair. Basta ver o número de árvores que caíram em 2014 e comparar com o número de árvores que caíram em 2015 e 2013. Vamos ver que, em 2013 e 2014, retiraram ou podaram muito menos árvores do que caíram este ano, ou seja, uma coisa compensa a outra.

A Prefeitura não faz o que deve fazer, que é trabalhar – e aí precisa de gente com vontade de trabalhar e que saiba que a segunda demanda do serviço 156 sempre foi poda de árvores. Se não fizer um trabalho sério e competente nisso, as árvores continuarão  caindo na cabeça das pessoas, como aconteceu domingo na Praça Conde Luiz Eduardo Matarazzo, na divisa entre São Paulo e Osasco. A árvore caiu sobre um carro com seis pessoas matando um jovem de 21 anos. Essa foi a segunda morte na Cidade. Coincidentemente são duas administrações petistas, uma em São Paulo e outra em Osasco, cidades que sofrem hoje, infelizmente, da mesma inépcia administrativa, matando pessoas por descaso do serviço público.

Enfim, isso é uma pena, porque, no ano passado, fizemos um projeto para facilitar e agilizar a poda de árvores, que foi aprovado em primeira e segunda votações na Câmara, mas vetado pelo Prefeito Fernando Haddad, como eu disse, provavelmente porque S.Exa. não conhece o assunto e se recusa a ouvir os  Srs. Vereadores da sua base, que são Parlamentares que estão com a mão na massa e permanentemente na comunidade, e tenho certeza de que recebem críticas e reclamações.

Outro ponto lamentável, ontem, enquanto o Jardim Pantanal estava alagado – lugar em que estive há 10 dias e mostrei aqui o estado em que estava -, o Córrego Vermelho: cheio de lixo e sujeira. Obviamente, lá é várzea de rio, a água subiu e o Jardim Pantanal está todo alagado.

Em gestões anteriores, o atual Deputado Paulo Teixeira encontrou uma solução interessante quando S.Exa. era Secretário de Habitação: ao invés de segurar as árvores ou transferir as casas de lugar, S.Exa. subiu o piso das casas. Então, encontramos casas interessantes que têm 1,70m de pé-direito não porque foram feitas baixas, mas porque subiram o piso para ver se entrava menos água.

É um absurdo assistirmos à nossa Cidade assim e a Prefeitura de São Paulo simplesmente se omite com relação à retirada de pessoas de áreas de risco, de áreas de alagamentos e de construção de habitação popular. Quase nada foi feito do Programa Mananciais e quase nada foi feito de construção de habitação popular. Cadê o Prefeito Fernando Haddad? S.Exa. tem de sair do Edifício Matarazzo e circular pela Cidade. Não circular pelo centro expandido ou pela Vila Madalena – onde, aliás, S.Exa. também está destruindo -, mas circular pela periferia da Cidade, onde estão as pessoas carentes e onde, diga-se de passagem, estavam os eleitores que confiaram nele e que certamente devem estar extremamente decepcionados.

O Jardim Pantanal não é responsabilidade do Estado. Habitação popular, manutenção de ruas, iluminação pública são responsabilidade da Prefeitura de São Paulo, e é isso o que o cidadão paulistano espera do Sr. Prefeito Fernando Haddad, que S.Exa. trabalhe, que siga as diretrizes necessárias para uma boa gestão na administração pública, e não gaste dinheiro que não existe em publicidade para mostrar na televisão uma Cidade que também não existe. São poucos anúncios pelo volume de verba gasta, mas certamente esses recursos seriam mais bem empregados em habitação popular, ou na recuperação do Jardim Pantanal, ou na zeladoria das subprefeituras.

É a primeira vez nesta cidade em que assistimos as colinas serem alagadas. Nunca na história desta cidade – parafraseando nosso ex-Presidente Lula, que é quem de fato administra a Cidade – vimos a Avenida Paulista alagar. Além de desmontar a Avenida Paulista, como está acontecendo, esta gestão conseguiu a proeza de permitir que suas pistas ficassem alagadas. Basta ir, nos dias de chuva, ao cruzamento da Alameda Joaquim Eugênio de Lima com a Avenida Paulista, onde não se limpam bueiros há mais de dois anos, para se ver alagamento no topo da colina de São Paulo; ou, então, passar pelo Elevado Nove de Julho, lugares por onde o Prefeito não deve passar, pois deve chegar à Prefeitura de helicóptero.

Quem passar pelo Viaduto Nove de Julho, poderá vê-lo alagado, algo surreal. Até sugeri ao Subprefeito da Sé que mande limpar as grelhas para permitir a saída de água, as quais estão nas laterais do viaduto. Com uma pequena limpeza, esse assunto poderia ser resolvido, e isso vale para a Cidade toda.

A Cidade hoje fica embaixo d’água com 15 minutos de chuva, e ninguém venha me dizer que está chovendo mais ou menos do que outros anos, até porque temos visto muito menos chuva do que habitualmente. O Sr. Prefeito, que não sei se morava em São Paulo, deve ter imaginado que São Paulo sempre foi como desde dois anos: sem chuvas; mas não, Sr. Prefeito: em São Paulo chove bastante nesse período. É importante que seja dito inclusive para que os subprefeitos que não conhecem São Paulo aprendam: São Paulo, de outubro até final de abril, enfrenta muita chuva, e mais ainda em março.

Essas são apenas algumas coisas a que assistimos em termos de desmandos na Cidade ultimamente. Outro dia, o Sr. Prefeito foi a uma rádio dizer que há uma conspiração contra a modernização de São Paulo. Ora, Prefeito Fernando Haddad, um prefeito moderno não desativaria a inspeção veicular, algo difícil de ser conquistado em São Paulo. V.Exa. simplesmente desativou a inspeção veicular. Um prefeito moderno não faz campanha prometendo coisas inexequíveis, como foi o Arco do Futuro, que se transformou na degradação dos arcos do passado; refiro-me aos Arcos de Jânio Quadros, bem tombado que S.Exa. mandou pintar. Isso não é ser moderno. S.Exa. faz o gênero moderninho, mas tem se saído mais conservador e atrasado do que Odorico Paraguaçu, que inaugurou um cemitério e esperava alguém morrer para que pudesse utilizá-lo. É o que S.Exa. está fazendo na Cidade, pintando ciclovias por todos os lados e esperando que alguém delas se utilize.

Muito obrigado, Sr. Presidente.