Propaganda enganosa


Quando era candidato, Fernando Haddad prometeu acabar com a taxa de inspeção veicular ambiental em São Paulo. Agora que é prefeito, em vez disso, sugere outra, a taxa de inspeção intermunicipal, quando propõe que os carros com placas de cidades vizinhas que circulam mais de 120 dias por ano na capital também devem pagar o tributo.

Aliás, sobre esse tema o prefeito fala de tudo, menos em cumprir a promessa de por fim à taxa. Mas não é só acabar com a cobrança e ponto final. A inspeção veicular é uma iniciativa necessária numa metrópole com mais de sete milhões de carros – 35% da frota de todo o Estado – e onde são licenciados cerca de mil novos veículos por dia.

Já disse isso aqui mais de uma vez: promessa de campanha se cumpre, e com responsabilidade. É um compromisso que se firma com o eleitor.

A prefeitura tem que acabar com a taxa sem onerar o bolso de todos os moradores da cidade, sobretudo os que não têm carro, que acabarão pagando-a embutida em seus impostos.

É preciso responsabilidade ambiental com o controle de emissões de gases poluentes. E responsabilidade fiscal com o orçamento, indicando de onde sairão os R$ 180 milhões que o fim da taxa representa por ano.

O prefeito desvia do principal. Primeiro, disse que a inspeção seria a cada dois anos. Depois, que seria só para carros com mais de cinco anos de uso. Aí resolveu envolver o governo do Estado, dizendo que a inspeção tinha que ser estadual. Ele deveria ser mais preparado e menos Haddad.

Cada município deve definir suas prioridades e saber como controlar sua frota de veículos. Vamos deixar de tergiversar, de fazer toda essa confusão que está aí. De volta ao fato como ele é: na campanha eleitoral o candidato do PT fez uma promessa e agora o prefeito descobriu que é difícil cumpri-la. Simples assim.

Andrea Matarazzo

Artigo publicado no Diário de S.Paulo em 5/03
Andrea Matarazzo é vereador de São Paulo pelo PSDB