São Paulo e o lixo


O lixo é um problema que atormenta os paulistanos. A sujeira se acumula por toda a cidade, mesmo nos bairros mais valorizados. A temporada de chuvas se aproxima e sacos plásticos, garrafas PET e entulho amontoado em praças, calçadas e terrenos aumentam as chances de inundações. Segundo a Prefeitura, São Paulo gera 18 mil toneladas de lixo diariamente, quantidade capaz de lotar o estádio do Morumbi em poucos dias.

Uma reportagem publicada estes dias na imprensa afirmava que a explicação do poder Executivo para a sujeira ter se acumulado nas ruas são os chamados “pontos viciados”: são 4.373 focos em toda a cidade. Os locais mais críticos já são conhecidos e mapeados. Um deles é na região da Luz, nas ruas Helvetia e Barão de Piracicaba. Ora, se o ponto “vicia” é porque não há fiscalização, porque não se retira o lixo daquele lugar! A desculpa da Prefeitura foi inaceitável.

É preciso inspeção permanente. Os subprefeitos devem sair de seus gabinetes e andar pela cidade todos os dias, acionando gerentes das áreas de limpeza de seus bairros. Outra medida importante é ajustar o horário das coletas de lixo à conveniência do cotidiano da população. Numa metrópole como a nossa, cada região tem horários e realidades diferentes. Por exemplo, na Cidade Tiradentes, sete da manhã já é um horário tardio. A vida começa às três, quatro da madrugada, quando o trabalhador sai de casa para enfrentar mais um dia de labuta.

Quando era secretário das Subprefeituras, realizei mutirões permanentes para evitar acúmulo de lixo nas ruas. A cada operação, realizávamos, de maneira concentrada em cada bairro, serviços de vários tipos, como varrição, capinação, retirada de entulho, cata-bagulho, limpeza de bueiros e bocas de lobo, de forma a combater a sujeira com vigor. É preciso limpeza ininterrupta e ruas lavadas seguidamente, de forma obsessiva.

A preocupação constante com a zeladoria faz com que a sociedade contribua para manter a cidade limpa. É uma obrigação básica do poder público, e não um luxo. Isso é cuidar da cidade. É o que deve ser feito.

Andrea Matarazzo

Artigo publicado no Diário de S.Paulo em 05/12/2013