Soluções para o drama da moradia


Um quarto da população de São Paulo vive em habitações precárias. São três milhões de pessoas em favelas, cortiços, invasões em áreas de mananciais e loteamentos não regularizados.

É um drama gravíssimo, que precisa ser encarado de frente, principalmente em uma época de crise econômica, quando o problema só tende a piorar. Hoje, o centro expandido tem a maioria de sua área regularizada, o que concentra a atividade econômica e os empregos. Mas milhões de pessoas moram na periferia, muitas em áreas sem regularização. A consequência são as 11 milhões de viagens diárias no transporte público, sucateando o sistema e fazendo com que milhões de paulistanos passem mais de duas horas por dia no ônibus, metrô ou trem.

A regularização fundiária resolveria metade da demanda por moradia e levaria empregos para a periferia, melhorando a qualidade de vida dos paulistanos. Quem mora em Itaquera, São Miguel ou Campo Limpo não sonha em viver no Centro, mas quer que a cidade chegue até ele. É preciso também retomar o projeto de urbanização de favelas, onde vivem um milhão de pessoas. Adequar um imóvel custa 20% menos do que construir uma nova unidade. Temos de priorizar as maiores concentrações, como Heliópolis e Paraisópolis, e as que apresentam risco, como na Vila Nova Cachoeirinha e Jardim Peri.

A reforma de cortiços é outra parte da solução. Há 2,3 m il dessas pensões precárias no Centro, principalmente na Sé, Bela Vista e Glicério. Já uma lei que obriga os proprietários a reformar os cortiços sem aumentar o aluguel em troca da regularização. Basta aplica-la. É necessário ainda regularizar prédios populares, como os do Projeto Cingapura, e encontrar uma solução para os mais de 90 edifícios antigos invadidos do centro. É uma questão séria e urgente, que precisa unir esforços das áreas de habitação, assistência social e segurança. É obrigação do prefeito prover com moradia digna aos paulistanos. Não basta discurso. É preciso planejamento, trabalho sério e dedicação.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 21/02/2016

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