Parelheiros e a Cratera de Colônia

Na semana passada fui novamente a Parelheiros, no extremo da zona sul da cidade. Bem diferente dos bairros mais centrais de São Paulo, Parelheiros é o nosso maior distrito – sua área ocupa 25% da cidade –, surpreendente pela grande quantidade de áreas verdes e por ter pouca população. No sábado em que estive lá, o dia estava bastante chuvoso e, com aquele cenário inusitado, a impressão é de não estar em São Paulo.

Fui recebido na casa do ambientalista Sebastião Carmo, que há mais de 20 anos realiza um trabalho de conscientização na região. Por causa de esforços como esse, os moradores de Parelheiros lutam para preservar o meio ambiente e reconhecem a importância do verde que há no bairro, não só para eles, mas para toda a cidade. Atualmente, a região tem mais de 200 produtores rurais, além de criadores de gado como o Goiano, que há 14 anos cria bois, vacas, porcos e cavalos em Parelheiros.

Em São Paulo, todo espaço é cultural

Em São Paulo, a cultura é livre. Este é um ideal que buscamos perseguir dia a dia, criando formas de dar aos cidadãos paulistas a oportunidade de apreciar e vivenciar diferentes linguagens artísticas, em especial aqueles que estão distantes do centro da cidade, onde os principais equipamentos culturais foram historicamente instalados pelo poder público. Cabe ao Estado, portanto, reverter essa situação, criando novas formas de ampliar o acesso à cultura a todos os cidadãos.

Arte acessível

Exposição Olhar com Outro Olhar - Museu do Futebol

Artigo que publiquei junto com a Mara Gabrilli no Jornal MetroNews

Olhe ao seu redor e tente se colocar no lugar de quem tem algum tipo de deficiência. Seu restaurante preferido tem cardápio em Braille? Você conseguiria circular pela sua loja de departamentos favorita se estivesse em uma cadeira de rodas? A escola do seu filho está pronta para receber um aluno surdo? E no local onde você trabalha? Os funcionários são orientados para atender clientes com deficiência?

O Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência é comemorado em 21 de setembro. Nada mais apropriado do que aproveitar a época para debater o tema com profundidade. Afinal, 30 milhões de brasileiros enfrentam barreiras, diariamente, para desempenhar tarefas que o restante da população considera triviais, como fazer compras, passear na rua ou ir a um barzinho.

Quase sempre as discussões sobre acessibilidade ficam restritas à locomoção nos espaços públicos. Este é um ponto importantíssimo, pois o direito de ir e vir com autonomia é um dos mais básicos da nossa sociedade. Mas de nada adianta chegar a um lugar que não está preparado para reconhecer as diferenças e trabalhar para que o serviço seja prestado com a mesma qualidade a todos. Instalar rampas e nada mais não passa de hipocrisia.

Leitura com prazer

Um dos fundadores do Modernismo, Mario de Andrade revolucionou a cultura em São Paulo em vários aspectos. Foi idealizador do serviço de proteção de patrimônio Histórico e do departamento público para incentivar a Cultura, em especial a música e a literatura.

Reaberta no dia do aniversário de São Paulo, a Biblioteca Mário de Andrade fez parte dos planos do escritor para atrair os amantes da leitura e formar novos leitores. Fundada em 1925, a então Biblioteca Municipal acumulou exemplares raros e expandiu seu acervo, sendo a segunda maior do País. No entanto, só agora, depois de uma grande obra de restauro e modernização, a maior Biblioteca do Estado volta a ter a função idealizada por Mário de Andrade.

Alguns dizem que a televisão e a internet fizeram com que as pessoas deixassem os livros de lado. Mas acho que a leitura só perdeu espaço por ter resistido em se aliar às novas tecnologias e usá-las a seu favor. Prova disso é a experiência que tivemos com a Biblioteca São Paulo, inaugurada há um ano no lugar onde ficava o antigo Presídio do Carandiru.

Com um acervo moderno e informatizado e ambientes diferenciados para cada público, a Biblioteca São Paulo recebe cerca de 30 mil pessoas por mês. Já estão programadas mais duas unidades: no Parque do Belém, que estará pronta ainda em 2011, e em São Luiz do Paraitinga, no lugar da escola destruída pelas chuvas do ano passado.

Outra ação de sucesso, realizada pela Prefeitura, foi a criação das bibliotecas temáticas. Na Lapa, fica a Mário Schenberg, especializada em ciências. No Tatuapé, está a Cassiano Ricardo, de música, e na Vila Buarque, a Monteiro Lobato, voltada para leitura infantil. Também há bibliotecas para o meio-ambiente, cinema, cultura popular. Para os fãs desses assuntos, a visita é um programa imperdível.

Biblioteca moderna deve ser um bom espaço de convivência. Deve ser acessível, oferecer diversas mídias e ter uma forte oferta de livros, jornais e revistas que atraia pessoas de todas as idades, transformando a biblioteca em um lugar agradável. Mudar o ambiente, ampliar o horário de atendimento, promover eventos e melhorar o acervo são ações eficientes para fazer com que o público descubra que ler é uma excelente opção de lazer.

Andrea Matarazzo é secretário estadual de Cultura de São Paulo.

Diário de São Paulo
Formador de Opinião