São Paulo e a cultura em 2011

Com a proximidade do fim de ano, é comum fazer uma avaliação de tudo o que passou, mas também é hora de pensar e planejar o novo ano. Acredito que 2011 será de muitas realizações para o estado e a cidade de São Paulo. O trabalho pela revitalização do centro da cidade certamente vai continuar, com mais força, neste ano. É um processo longo, que exige grandes mudanças, mas vai marcar, de forma significativa, a história de São Paulo.

Em dezembro, a inauguração da São Paulo Escola de Teatro foi mais um passo para a recuperação da Praça Roosevelt, área importante para a cultura da cidade, onde estão as sedes dos grupos Parlapatões e Os Satyros. Em trabalho conjunto de prefeitura e governo do estado, essa transformação vai se estender da Luz até o Baixo Augusta. As periferias também serão contempladas com grandes investimentos do governo do estado em transporte, com novas integrações e estações de metrô.

Na área cultural, serão inauguradas nove Fábricas de Cultura em locais de alta vulnerabilidade social. Duas já estão prontas, na Zona Leste: Vila Curuçá e Sapopemba. No decorrer do ano, serão entregues as outras unidades em Cidade Tiradentes e Itaim Paulista (Zona Leste), Brasilândia, Cachoeirinha e Jaçanã (Zona Norte), Capão Redondo e Jardim São Luís (Zona Sul). Cada uma terá espaços de múltiplo uso e salas para atividades práticas de teatro, dança, música e circo, sala de audiovisual, ateliê de artes plásticas, oficina de cenografia e figurinos, biblioteca e um amplo teatro totalmente equipado.

Ainda para a cultura, 2011 será o ano de inauguração do novo MAC, no antigo prédio do Detran, e do centenário do Teatro Municipal, que está em obras e deve ser reinaugurado para as comemorações. Dois marcos culturais e urbanísticos que são motivo de orgulho para São Paulo. Enfim, 2011 será um ano de grandes realizações no estado de São Paulo e na nossa cidade. Feliz ano novo para todos nós!

Andrea Matarazzo é secretário estadual de Cultura de São Paulo.


Coluna: Formador de Opinião
Jornal Diário de São Paulo
31/12/2010

Cidade Tiradentes, crescimento e arte

Como o próprio nome diz, Cidade Tiradentes é mais do que um bairro paulistano. Localizada no extremo leste de São Paulo, a 35 quilômetros do Centro, é como uma pequena cidade em desenvolvimento dentro da metrópole. Na década de 80, ser um bairro-dormitório foi a primeira função de Cidade Tiradentes, que abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina. Hoje, com 220 mil habitantes, tornou-se mais do que isso. A convivência intensa entre os moradores, a chegada de comércio e serviços transformaram a região.

A vitalidade de Cidade Tiradentes é nítida quando vemos tantas pessoas se encontrando no Parque Vila do Rodeio, antes uma área abandonada que se transformou em ponto de lazer e lugar de preservação ambiental. Também é impressionante o quanto se produz e se difunde a arte em Cidade Tiradentes. Fruto da demanda cultural e da mobilização dos moradores, em breve serão abertos ao público o Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes e uma das nove unidades das Fábricas de Cultura que chegarão à periferia da capital.

Talvez por ter grande população jovem, o funk predomina na região. Ali foi criado o Baile do Permitidão, o chamado “funk do bem”, assim como o primeiro estúdio público para gravação de CDs, que fica na Estação de Juventude, na Avenida dos Metalúrgicos. Avenida, aliás, que passou por revitalização e hoje é muito estimada pelos moradores. Lá e nas diversas pracinhas as pessoas saem às ruas, encontram-se, conversam, exercem sua cidadania, enfim, usam os espaços públicos.

Ainda há muito a ser feito na infraestrutura do bairro, como calçadas, asfalto, postos de saúde e creches. E transporte – a população de Cidade Tiradentes será integrada a São Paulo quando o Expresso Tiradentes estiver finalizado, reduzindo para 50 minutos o tempo do longo percurso do bairro até o Centro.

Andrea Matarazzo é secretário estadual da Cultura de São Paulo.

Diário de São Paulo
Formador de Opinião