Tradições europeias na Vila Zelina


As marcas dos milhares de imigrantes que encontraram em São Paulo sua segunda terra natal estão espalhados pela cidade. Na Liberdade, os costumes orientais; no Bixiga, as cantinas e o sotaque italianos; em Higienópolis, a tradição judaica. Poucos conhecem, porém, a Vila Zelina, uma extensão do Leste Europeu na zona leste de São Paulo.

Nos anos 20, grupos de lituanos começaram a chegar a São Paulo e se instalaram na região do Pari. Como a maioria era católica, iam à missa na igreja de Santo Antônio do Pari, mesmo sem compreender o idioma. Logo essa notícia chegou até a comunidade religiosa da Lituânia, motivando a vinda de padres para o Brasil, que buscaram espaço para sua igreja. Só em fevereiro de 1936, com a união da comunidade lituana e ajuda do padre Beneditkas Sugintas, foi inaugurada a igreja de São José. Na mesma época, outros povos eslavos escolheram a Vila Zelina para morar. Russos, poloneses, búlgaros, húngaros e letonianos, além dos lituanos, imprimiram, com muita força, suas tradições e costumes na região.

Estive recentemente no bairro e comecei a visita pela Praça República Lituana, onde está o Monumento à Liberdade, réplica do que existia na cidade lituana de Kaunas e foi destruído pelo exército soviético, e a igreja, com sua bonita arquitetura e seus maravilhosos vitrais. Também passei pelas confeitarias que vendem comidas típicas, como o tradicional pão preto do Leste Europeu, os doces húngaros e o licor de mel. E foi na Vila Zelina que comi uma das melhores coxinhas de São Paulo. O Santa Coxinha tem mais de 50 variedades do salgado, além de uma coleção de cervejas do mundo todo.

O que chama a atenção é como as tradições são protegidas pelos moradores. Estive em um bar da década de 50, mantido perfeitamente até hoje, um exemplo de preservação. Há até um estudo interessante, para que uma das ruas seja reurbanizada, seguindo as características dos países do Leste Europeu, parecido com o que foi feito na Rua Avanhandava, quando eu estava na Secretaria de Subprefeituras.

É incrível ver, em um bairro, a síntese da formação da nossa cidade, com a mistura de povos, mas sem perder as tradições. Tenho certeza que, com os investimentos necessários, a Vila Zelina tem tudo para ser mais um ponto turístico de São Paulo.