Transporte pensando no cidadão


O avanço tecnológico não pode ser ignorado. As plataformas digitais e as novas tecnologias devem ser incorporadas ao cotidiano para facilitar a vida do cidadão.

Remar contra essa tendência é ignorar os benefícios e trabalhar para prejudicar a população. Simplesmente proibir a atuação de aplicativos de celular que facilitam o transporte de passageiros em São Paulo, incluindo o Uber, não é o melhor caminho.

Como também não é o caminho manter toda a burocracia envolvendo os taxistas. São Paulo tem o melhor serviço de taxi entre todas as capitais porque dispõe de uma frota nova, com motoristas muito bem qualificados. Flexibilizar a burocracia vai melhorar ainda mais a qualidade deste serviço.

É em cima de um debate produtivo que devemos pautar a nossa agenda. Por exemplo, na década de 1970, muitos foram contrários ao rádio taxi. Chegou-se a falar em proibi-los. Alguém consegue imaginar o efeito que teria sido não permitir o funcionamento deles? Naquele momento, o debate não freou o avanço da tecnologia e garantiu que se encontrasse a melhor solução para atender a população.

Por isso propus a modernização da legislação sobre os táxis e a regulamentação do uso dos aplicativos. Ambas iniciativas facilitariam e muito o transporte de passageiros na capital. Todos sairiam ganhando. Os consumidores teriam o direito de escolher o que preferir. Taxistas enfrentariam menor burocracia. E os motoristas que utilizam tecnologia como o Uber não perderiam o trabalho e seu ganha pão. Infelizmente, fui derrotado.

Não é por acaso que as duas cidades que têm o melhor serviço de táxis do mundo são Nova York e Londres. Hoje, em ambas, táxis e Uber convivem em perfeito equilíbrio.

Os legisladores da nossa cidade não podem simplesmente ignorar os benefícios das novas tecnologias para todos. As plataformas digitais estão presentes em 85% dos taxis de São Paulo. Não é proibindo ou restringindo o debate que se chega a melhor solução. Essa não é a tradição da nossa cidade, que respeita as diferenças e privilegia o trabalho.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 13/09/2015

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