Um 2016 melhor para a Paulista


Nos últimos dias de 2015, milhões de pessoas de todo o mundo pousaram seus olhos na Avenida Paulista. A Corrida de São Silvestre e a festa de Réveillon levaram milhares de pessoas à via e foram transmitidas por TVs de todas as partes do globo.

Nesses eventos, a Paulista vive seu brilho máximo. É o símbolo de uma das maiores e mais importantes cidades do mundo. Seus totens pretos com os nomes das ruas transversais, o Masp e o Trianon são alguns dos marcos da cultura e do desenvolvimento paulistano. Mas, infelizmente, quando se apagam os holofotes a situação é de degradação. Por um lado, pela crise econômica e social em que o governo federal mergulhou o país. A Paulista teve em 2015 um dos Natais mais pobres de sua história. Bancos e empresas deixaram de instalar as decorações que tantos turistas atraem à cidade. E a Prefeitura demorou a montar o palco e não colocou iluminação nas praças e parques.

Outro ponto da crise é causado exclusivamente pela gestão de Fernando Haddad. Em uma administração marcada por factoides e pela falta de prioridade, ele passou o ano discutindo o fechamento da avenida aos domingos, enquanto deixava de lado a conservação da via e de suas calçadas. Reportagem recente apontou que a aglomeração de ambulantes na Paulista transformou um dos principais cartões-postais da cidade em um centro de comércio irregular. A via tem, em média, quatro vezes mais camelôs do que os 50 permitidos pela Prefeitura.

Desde o ano passado, com a Lei de Artistas de Rua, de autoria de Haddad, artesãos podem vender seus produtos e fazer suas apresentações na scalçadas da Paulista. Mas, sem regulamentação nem fiscalização, a via virou uma terra de ninguém, dificultando o fluxo de pedestres e com um aumento nos casos de assalto e tráfico de drogas. A Paulista é o principal símbolo da cidade e assim deve ser tratada. É preciso de legislação dar a e fiscalização rigorosa, tudo que a atual gestão não consegue fazer. São Paulo e a Paulista precisam de um 2016 muito melhor.

Artigo publicado no jornal Diário de S. Paulo em 03/01/2016

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