Um projeto para nossas escadarias


Estive recentemente na Bela Vista, bairro histórico no centro de São Paulo, e fiquei espantado com o estado de abandono da escadaria que liga a rua dos Ingleses à Treze de Maio.

Degraus quebrados, mato alto e pichação por toda parte. À noite, a escada é escura e abandonada.

Além de degradar um monumento turístico e arquitetônico da cidade, o descaso provoca insegurança aos moradores e visitantes, que preferem dar a volta ao quarteirão a descer seus 84 degraus —que somam 16 metros de altura e foram construídos em 1930—, do alto dos quais se tem uma vista privilegiada da cidade.

Essa situação, infelizmente, não é apenas dessa escada, mas da maioria de construções semelhantes da cidade. As escadarias que ligam as laterais da avenida Nove de Julho ao centro estão mal conservadas. Em Pinheiros, acessos em degraus às travessas da Cardeal Arcoverde e Teodoro Sampaio não têm sinalização nem iluminação. Na periferia, escadas que dão acesso a casas em nível mais baixo das ruas não têm corrimão nem passam por melhorias há anos.

Recentemente, um projeto lançado por uma ONG na Rua Alves Guimarães, em Pinheiros, mostrou que é  possível melhorar esses espaços e transformá-los em áreas de lazer para a população. Com a participação dos moradores, foi feita  a restauração dos degraus e a instalação de mobiliário de madeira e lâmpadas. Constantemente, há festas, shows e piqueniques na escadaria, envolvendo a comunidade local.

Esse projeto de requalificação da escadaria foi vencedor de um prêmio da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Além disso, o grupo lançou mapa colaborativo na internet para mapear as escadarias da cidade, já que não há nenhuma base de dados nos órgãos oficiais que informe o número de escadões da cidade e sua localização. A partir daí, será feito um roteiro turístico com essas escadarias.

Iniciativas dos cidadãos para melhorar São Paulo são louváveis. Além de colaborar, todos que querem uma cidade melhor devem cobrar a Prefeitura para que faça sua parte.

Artigo publicado no Diário de S. Paulo em 03/05/2015

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