Um retrato desolador, porém oportuno


Nós, paulistanos, estamos desamparados, vivendo em uma cidade que acumula dificuldades geradas por uma administração caótica e sem prioridades.

As dificuldades só aumentam e a insatisfação é generalizada em todos os bairros. Constato isso diariamente conversando com os moradores e nas visitas que tenho feito pela cidade. Essa triste realidade foi verificada por pesquisa feita pela Escola do Parlamento da Câmara e divulgada no último dia 4 de julho.

A conclusão do levantamento é que, para a maioria dos cidadãos que moram aqui, as oportunidades de emprego e renda e a mobilidade urbana estão ruins ou péssimas e as condições de moradia e a situação econômica da cidade são apenas regulares. É o clima de fim de feira que venho alertando há um bom tempo.

A pesquisa foi realizada para orientar os debates sobre que São Paulo queremos nos próximos 15 anos. E o resultado é um balde de água fria para todos nós que amamos essa cidade: a futura geração que deveria estar animada para participar da transformação de sua cidade está desolada. Ao responder a questão sobre se pretende passar o resto da vida aqui, apenas 34,3% dos jovens de 16 a 24 anos respondeu que sim. Isso significa que a cada 10 jovens nessa faixa etária, quase 7 querem se mandar de São Paulo.

Ou seja, a grande maioria da força trabalhadora que deveria ser responsável por fazer as mudanças necessárias na nossa capital quer buscar novos ares, quer prosperar em outros cantos porque a situação é de insegurança generalizada, habitações péssimas e serviço público deteriorado. Vamos aos números: a Saúde para 85% da população é péssima, oportunidade de emprego e renda é ruim ou péssimo para 62,1% e a preservação do meio ambiente está em estado lamentável para 51,1% dos entrevistados.

No detalhe, os dados revelam que São Paulo é uma cidade desigual que oferece as condições melhores (ou menos piores) apenas para quem mora no centro expandido: bairros periféricos estão esquecidos e sucateados, sem serviço público, sem recreação e sem condições de moradia.

Essa não é a cidade que queremos nos próximos 15 anos. Em 2030, queremos uma cidade pujante, forte economicamente, que oferece oportunidade a todos. Que de Marsilac a São Mateus, passando pela Lapa, pela Vila Maria encontremos bairros bem cuidados, com a população feliz e orgulhosa de viver naquela que já foi a cidade mais importante do Hemisfério Sul. Para isso, a mudança pode ocorrer este ano. É um retrato desolador, mas temos uma oportunidade riquíssima em outubro.