USP sem muros


Uma das maiores instituições de ensino da América Latina, a Universidade de São Paulo é um patrimônio público.

Embora o vestibular seja o mais concorrido do país  e nem todos consigam cursar uma das suas faculdades, as bibliotecas, cursos e alamedas da USP estão abertas também para quem não é estudante.  Mas existem outras maneiras de dividir o que a Cidade Universitária tem com a população. Uma ação simples que faria uma grande diferença é a troca dos muros da USP na Marginal Pinheiros por grades leves. Isso faria com que  motoristas que passam pelo lugar tivessem outra visão da cidade.  Ao contrário do que dizem, São Paulo não é só cinza, asfalto e concreto. Há lugares lindos que podem tornar mais agradável o cotidiano de quem vive na metrópole.

Imagine-se dirigindo na marginal. À sua direita, em vez daquele muro cinza, você teria a visão de todos os jardins da Cidade Universitária e das águas da Raia Olímpica. À esquerda, estariam as lindas plantas do projeto Pomar. Quem passar por ali nas primeiras horas da manhã, vai ver até os barcos passando pela raia, nos treinos dos remadores. Não tenho dúvida de que mudaria a cara de um ponto de São Paulo de grande fluxo de pessoas, mas tão marcado pelo trânsito e pela poluição.

Estamos fazendo algo parecido na região do Ibirapuera. Por meio de um pedido da Secretaria de Estado da Cultura, já está em fase de execução a troca dos muros do Instituto Biológico, no Ibirapuera, por grades. A vista dos 14 hectares de área verde do instituto  vai ser mais uma atração para quem visitar o novo MAC, que será aberto ao público no segundo semestre, no prédio onde ficava o Detran.  Para fazer a troca do muro da USP por grade, é preciso uma atitude conjunta da Prefeitura e da reitoria. Tirar o muro seria uma forma de fazer com que a população de São Paulo participasse de mais um espaço que é público. Seria como libertar a paisagem.

Andrea Matarazzo  é secretário estadual de Cultura de São Paulo.

Coluna: Formador de Opinião

Jornal Diário De São Paulo

11/06/2011